A Intel alertou que o mercado de eletrônicos de consumo enfrentará mais turbulências até 2027, devido à crise contínua nos chips de memória. A previsão foi divulgada no relatório fiscal da empresa na última quinta-feira, dia 29.

A companhia indicou que a queda nas vendas de PCs deve persistir, especialmente no primeiro semestre de 2024. Estudos recentes apontam uma redução de até 20% nas vendas desses dispositivos. Apesar dos números negativos, a Intel mantém uma visão otimista em relação à demanda por componentes voltados à inteligência artificial.

A empresa planeja concentrar seus esforços no fornecimento de chips de alto desempenho, como os da linha Xeon, destinados a servidores e estações de trabalho. Essa estratégia se assemelha ao movimento da rival Nvidia, que tem se destacado nesse segmento.

No entanto, os resultados financeiros da Intel não agradaram o mercado, resultando em uma queda nas ações. Embora a receita do terceiro trimestre tenha subido 21% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 16,5 bilhões, o lucro caiu 18%, somando US$ 3,32 bilhões. A projeção de receita para o último trimestre foi ajustada para US$ 16 bilhões, abaixo das expectativas.

O cenário é ainda mais desafiador para o setor de chips de memória, com previsões pessimistas de empresas como SK Hynix e Micron, que esperam que a desproporção entre oferta e demanda persista até 2030 e 2028, respectivamente.

A alta nos preços dos PCs e a diminuição da oferta de dispositivos de baixo custo são reflexos diretos dessa crise, impactando o consumidor final. O mercado de smartphones também sente os efeitos dessa situação, conforme apontam os dados mais recentes.

Fonte: www.estadao.com.br