A situação de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, se complicou após a Comissão de Ética e Disciplina do clube aprovar, por unanimidade, um parecer que recomenda sua expulsão do quadro associativo. A decisão, tomada na última segunda-feira (24/8), agora será submetida ao Conselho Deliberativo, que terá a palavra final sobre o assunto.

O parecer da comissão, composta por Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton José Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja, se baseia em investigações sobre a gestão de Casares, que liderou o clube de 2021 a 2026. O documento aponta possíveis irregularidades administrativas e financeiras durante seu mandato, incluindo o uso indevido de cerca de R$ 1 milhão do cartão corporativo para despesas pessoais.

Casares não compareceu à audiência em 31 de julho, onde teve a oportunidade de se defender. Com isso, a Comissão de Ética decidiu dar continuidade ao processo, enquadrando o caso no artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo. Além da expulsão, a comissão também sugere que o ex-presidente reembolse o clube pelas despesas pessoais e pague uma indenização prevista no artigo 11 do estatuto.

Apesar de ter renunciado a seus cargos em julho, Casares ainda enfrenta o processo disciplinar, que, segundo o estatuto do clube, não pode ser encerrado antes da conclusão das apurações. Sua saída da presidência já havia ocorrido em janeiro, antes de um possível impeachment.

Agora, o Conselho Deliberativo analisará o parecer da comissão. Embora a recomendação tenha caráter consultivo, os conselheiros poderão aprovar ou rejeitar a proposta, além de poderem apresentar votos divergentes, tornando a decisão sobre a expulsão de Casares incerta.

As investigações que cercam a gestão de Casares começaram a ganhar força no final de 2025, após denúncias sobre um esquema irregular de venda de ingressos. Outros ex-dirigentes também foram citados e expulsos. A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam possíveis desvios financeiros, com relatos de movimentações suspeitas que somam milhões.

Em meio a esse cenário, a recomendação da Comissão de Ética marca mais um desenvolvimento no processo envolvendo o ex-presidente, com a expectativa de que o Conselho Deliberativo se pronuncie em breve.