O governo brasileiro defendeu o sistema de pagamentos PIX após os Estados Unidos citarem a ferramenta como um dos motivos para a nova tarifa alfandegária de 25% sobre produtos do Brasil. Em uma declaração oficial compartilhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a administração classificou a acusação de “descabida” e reafirmou que o PIX é um “patrimônio nacional”.

Na madrugada de quinta-feira (16), os EUA confirmaram a implementação da tarifa adicional, levando o governo brasileiro a contestar as alegações feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Lula destacou que o dia 15 de julho de 2026 será lembrado como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

As críticas norte-americanas se concentram no PIX, que, segundo a administração de Donald Trump, favorece práticas desleais em detrimento de empresas americanas. Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, enfatizou a necessidade de que o PIX opere em igualdade de condições com as empresas dos EUA.

O USTR argumenta que as políticas relacionadas ao PIX são “injustas e discriminatórias”, embora tenha esclarecido que não pretende que o Brasil abandone o sistema financeiro. Contudo, a Casa Branca insiste que as empresas americanas não devem ser obrigadas a se adaptar ou serem prejudicadas pela ferramenta.

Além das questões sobre o sistema de pagamentos, os EUA também levantaram preocupações sobre a regulação das redes sociais no Brasil. O USTR afirmou que ordens judiciais brasileiras forçaram empresas americanas a remover conteúdos políticos, especialmente de brasileiros que residem no exterior. A situação inclui casos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e a exclusão de perfis de influenciadores como Bruno Aiub, o Monark, no Rumble.

Em resposta às tarifas, o governo Lula anunciou que irá utilizar a Lei da Reciprocidade e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa legislação, aprovada em julho de 2025, permite retaliações contra medidas de outros países.

Apesar das novas tarifas, uma série de produtos, como café, carne bovina e petróleo bruto, permanece isenta. Itens como etanol, maquinário elétrico e calçados, no entanto, serão afetados pela medida, que entrará em vigor em 22 de julho.

Por sua vez, Donald Trump criticou a suspensão de data centers em Nova York e expressou preocupações sobre a crescente influência chinesa em inteligência artificial.

Fonte: www.tecmundo.com.br