Simone Tebet, pré-candidata ao Senado pelo PSB em São Paulo, se posiciona como uma figura de centro-direita na economia e centro-esquerda em pautas sociais. Em entrevista à Folha, ela enfatizou a importância da defesa das minorias e da participação feminina na política, criticando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por sua abordagem à ideologia que representa. Tebet afirmou que Michelle, ao vivenciar conflitos familiares, experienciou as consequências da extrema direita, que, segundo ela, não favorece as mulheres.
Tebet, que é natural de Mato Grosso do Sul, fará sua estreia em eleições fora de seu estado natal. Após não conseguir se eleger presidente em 2022, ela se tornou uma aliada do governo Lula, atuando como ministra do Planejamento até abril deste ano. Sua mudança de domicílio eleitoral para São Paulo se deu porque, nas últimas eleições, mais de um terço de seus votos à Presidência vieram do estado.
No mais recente levantamento do Datafolha, a pré-candidata aparece tecnicamente empatada com Marina Silva, obtendo 18% das intenções de voto, enquanto Marina tem 16%. Tebet também está em um grupo próximo que inclui Ricardo Salles (13%), André do Prado (11%) e Guilherme Derrite (10%).
Sobre os ataques que tem recebido por não ser de São Paulo, Tebet criticou o governador Tarcísio de Freitas, afirmando que ele não tem legitimidade para questioná-la, já que sua candidatura foi baseada em um endereço emprestado. Ela se sente conectada ao estado, mencionando sua formação e a presença de sua família em São Paulo.
A adaptação à política paulista não é um desafio para Tebet, que já esteve envolvida em campanhas na região. Ela reconhece as semelhanças entre o noroeste paulista e o interior de Mato Grosso do Sul, especialmente em questões agrárias. Em relação ao agronegócio, ela defende a sustentabilidade e a reforma agrária, afirmando que a agricultura familiar é crucial para a alimentação do país.
Tebet também comentou sobre a polarização política, afirmando que ela tende a diminuir no cotidiano, embora a percepção no meio político possa ser diferente. Ela acredita que o agronegócio carrega um histórico de desconfiança em relação à esquerda, mas que essa visão deve ser superada.
Sobre as declarações machistas do presidente Lula, Tebet as atribui a questões geracionais, mas ressalta que isso não diminui seu compromisso com as mulheres. Ela vê a necessidade de renovação na política e acredita que a nova geração deve se engajar mais em questões sociais e políticas.
Tebet deixou claro que continuará na política, independentemente de concorrer a cargos no futuro, afirmando sua responsabilidade em unir diferentes setores da sociedade e ser uma voz ativa contra a extrema direita.