O presidente argentino, Javier Milei, intensificou suas críticas ao colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a poucos dias do segundo turno das eleições no Brasil, marcado para o próximo domingo (25). Considerado um marco para a ascensão da ultradireita na América do Sul, o pleito gerou uma nova onda de ofensas de Milei, que insinuou a possibilidade de fraude na votação e classificou Lula como “esquerdista ladrão”. Esse ataque revive tensões que já haviam causado uma crise diplomática significativa entre os dois países.
A troca de insultos começou na noite de segunda-feira (19), quando Milei comentou um trecho de um debate em que Lula mencionou que Flávio Bolsonaro perderia a imunidade parlamentar. “Você vai ter problemas, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar”, afirmou Lula, ao que Milei respondeu nas redes sociais, sugerindo que Lula era um “autoritário” que o progressismo local adora.
Uma pesquisa recente da Zuban Córdoba revelou que 70,5% dos argentinos desaprovam a postura de Milei em relação a Lula. Em outra publicação, o presidente argentino criticou uma análise do jornal La Nacion sobre a estratégia de Flávio durante o debate, chamando o veículo de “pasquim de esquerda” e desqualificando a caracterização de Bolsonaro como extrema direita.
Milei também repercutiu uma declaração de Lula sobre a jornada de trabalho 6×1, que foi extinta no Brasil. O presidente brasileiro comentou que as mulheres que ficam em casa, para cuidar da família, acabam trabalhando ainda mais, o que Milei usou para atacar o petista, referindo-se aos “progressistas machistas”.
Internamente, Milei enfrentou reações negativas após um evento em Neuquén, onde minimizou as dificuldades financeiras enfrentadas por muitos argentinos. Ele desconsiderou a ideia de que a população não consegue se sustentar até o fim do mês, afirmando que isso era uma “baboseira do kirchnerismo”. No entanto, pesquisas recentes indicam que a maioria dos argentinos realmente enfrenta dificuldades financeiras.
As falas de Milei provocaram críticas de membros da oposição, que o acusaram de falta de empatia em relação ao sofrimento da população. O deputado Maximiliano Ferraro enfatizou a importância da sensibilidade em momentos de dificuldade, enquanto Pablo Juliano, da União Cívica Radical, questionou a compreensão do presidente sobre a realidade econômica do país.
Fonte: redir.folha.com.br