Em uma estratégia para atrair o eleitorado católico, o PT lançou uma carta na quarta-feira (2) elaborada por religiosos vinculados ao partido, manifestando apoio à reeleição do presidente Lula. O documento, que se inicia com um versículo do Evangelho de João, não menciona diretamente o aborto, tema controverso entre a esquerda e grupos cristãos.
O versículo que abre a carta, “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”, é apresentado como uma mensagem de Deus, embora não inclua referências explícitas a figuras religiosas como Deus ou Jesus. Gutierres Barbosa, coordenador do setorial inter-religioso do PT, justificou a ausência de menção ao aborto, afirmando que o tema é considerado superado dentro do partido.
A carta propõe a “organização das católicas e dos católicos no campo democrático popular”, ou seja, no grupo que apoia Lula. O texto defende a valorização do laicato, a formação de uma consciência crítica e o fortalecimento do protagonismo de mulheres, juventudes e da classe trabalhadora. Além disso, ressalta a importância do Estado laico e do respeito às diversas tradições religiosas, condenando toda forma de intolerância e discriminação.
O documento também critica ações parlamentares que utilizam a fé como palanque político e que vão contra direitos sociais e democráticos. Ele elogia programas sociais das gestões petistas, como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, e propõe alterações na jornada de trabalho e a tarifa zero no transporte público.
Historicamente, setores progressistas da Igreja Católica foram fundamentais na formação e crescimento do PT. Agora, a estratégia do partido busca evitar que o eleitorado católico se distancie de Lula em sua busca por um quarto mandato. Em junho, o PT já havia divulgado um documento voltado ao eleitorado evangélico, abordando a manipulação política da religião e trazendo trechos bíblicos.