Após o término das eleições presidenciais em outubro, muitos se veem na necessidade de reavaliar relações afetadas por divergências políticas. Psicólogas afirmam que é possível restaurar laços rompidos com amigos, familiares ou parceiros, mas esse processo requer um esforço genuíno de ambas as partes.
Para a psicóloga clínica Huíla Cardoso, é essencial que haja interesse verdadeiro em dialogar, em vez de simplesmente tentar provar um ponto de vista. Marília Gabriela Leme, psicóloga e presidente da Associação Paulista Terapia Familiar, acrescenta que é necessário questionar se a intenção é realmente restabelecer a relação ou apenas ganhar uma discussão. O restabelecimento de vínculos exige paciência, comprometimento e respeito mútuo.
As especialistas recomendam que se avalie a viabilidade de manter a relação. Em alguns casos, distanciar-se pode ser a melhor solução, especialmente se as feridas forem profundas. O perdão, segundo Leme, não é obrigatório. Ela sugere ponderar os benefícios e malefícios de se afastar antes de tomar uma decisão.
As psicólogas notam que as tensões políticas têm gerado frequentes conflitos nas relações pessoais, especialmente em períodos eleitorais. “As pessoas se sentem emocionalmente vulneráveis, independentemente de seu lado político”, destaca Leme. Cardoso observa que a identificação da escolha política com a personalidade tem tornado desacordos mais intensos, levando a uma visão de ataque pessoal.
Desde as eleições de 2018, a polarização política tem afetado as relações, como no caso da bióloga Lorena Maniva, que se distanciou do pai devido a divergências políticas. Embora tenham se reconectado por causa da pandemia, ainda evitam discutir política, temendo novas brigas.
Ambas as psicólogas sugerem que, para restabelecer o diálogo, é importante esfriar a cabeça e evitar conversas tensas imediatamente. Manter limites e escolher um meio de comunicação que funcione para ambos, como mensagens ou encontros informais, pode ajudar. A comunicação deve ser respeitosa, evitando acusações que afastem ainda mais as pessoas.
Para aqueles que desejam lidar com as tensões, procurar terapia familiar pode ser uma alternativa útil. Um estudo recente revelou que, apesar de rupturas por motivos políticos, apenas 3,5% dos entrevistados afirmaram que suas relações familiares foram impactadas após as eleições de 2022, indicando que muitos ainda compartilham visões semelhantes dentro do núcleo familiar.
Leme observa que a escolha de amigos e parceiros está cada vez mais influenciada por crenças políticas, refletindo um cenário onde as pessoas buscam se cercar de quem pensa de forma semelhante. “Precisamos respirar e cuidar das nossas relações”, conclui.