Uma operação internacional coordenada pelo governo dos Estados Unidos desmantelou uma rede cibercriminosa que enviou mais de um bilhão de mensagens fraudulentas desde o início de 2023. A ação, realizada no Distrito Sul da Flórida, envolveu a Microsoft e a organização Health-ISAC, que conseguiram redirecionar domínios utilizados por criminosos para enganar vítimas em 150 países, afetando mais de 75 mil organizações, incluindo instituições públicas e financeiras.

As investigações tiveram início no final de 2025, após a Agência Nacional de Polícia do Japão relatar um aumento nas fraudes digitais. Durante as apurações, os investigadores descobriram o YAM Store, um mercado cibercriminoso chinês que funcionava como um centro de suprimentos para hackers, oferecendo acesso fraudulento a serviços em nuvem da Microsoft e do Google.

Os criminosos criavam contas falsas comprando domínios expirados de organizações legítimas, como ONGs e instituições educacionais. Eles recriavam sites dessas entidades e utilizavam ferramentas de inteligência artificial para gerar documentos falsos, permitindo a reativação dos domínios. Com esses recursos, a rede realizava ataques de phishing e enviava mensagens em massa para as vítimas.

Os kits de phishing disponíveis no YAM Store, como CoGUI e Iron Man System, forneciam templates que simulavam comunicados oficiais, incluindo notificações de encomendas e alertas bancários. O modelo Iron Man, por exemplo, oferecia mais de 2.300 modelos adaptados para 130 países.

A ação da Microsoft, em colaboração com o Centro de Controle de Crimes Cibernéticos do Japão e outras empresas de tecnologia, resultou na desativação de mais de 20 mil contas e no bloqueio de cerca de 100 mil domínios utilizados para golpes. A empresa continua a trabalhar com autoridades internacionais, como o Serviço Secreto dos Estados Unidos, para identificar os responsáveis e remover quaisquer infraestruturas remanescentes da operação.

Embora a ação tenha sido significativa, especialistas destacam que o combate ao cibercrime requer vigilância constante, uma vez que novas ferramentas e endereços de internet são frequentemente criados. As informações roubadas, como senhas e dados de cartões de crédito, eram enviadas em tempo real pelos criminosos por meio de canais automatizados, aumentando a urgência da luta contra essas práticas ilícitas.

Fonte: www.estadao.com.br