Em uma live recente, o ex-candidato Renan Santos expressou frustração com o desempenho do seu partido, o Missão, afirmando que “nós somos uns idiotas”. Santos criticou a atual dinâmica política, onde, segundo ele, os políticos se concentram em validar suas próprias bolhas ao invés de propor soluções efetivas para os desafios públicos. A declaração veio à tona a menos de uma semana do segundo turno das eleições, em um momento em que os candidatos ainda não apresentaram planos claros para enfrentar os problemas econômicos que o país enfrenta.

Embora o equilíbrio das contas públicas seja uma preocupação imediata, Santos destacou que uma agenda de crescimento vai além de questões fiscais. Aumentar a produtividade e a renda, assim como conquistar apoio político para essas mudanças, são fundamentais. Ele propôs que uma elevação na produtividade poderia resultar em maior renda com os mesmos recursos, permitindo a redução do custo de vida e a implementação de políticas que diminuam as desigualdades.

Para alcançar esses objetivos, o futuro governo precisa facilitar o acesso a insumos e tecnologias, além de melhorar a infraestrutura do país. Os investimentos devem ser direcionados com base nos benefícios que trarão para a população e serem mantidos ao longo dos mandatos. Essas recomendações estão alinhadas com o estudo do CDPP (Centro de Debate de Políticas Públicas) sobre produtividade.

Além disso, o fortalecimento de empresas mais eficientes é crucial para o crescimento econômico, mas barreiras de entrada e proteções setoriais podem limitar essa expansão. Para rever essas regras, será necessária coragem para desafiar interesses estabelecidos, mesmo entre aliados. A renovação de incentivos às empresas, segundo Santos, deve estar condicionada a avanços em produtividade.

Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) de 2017 apontou que muitos programas de incentivo tiveram resultados inconclusivos. A pressão de setores beneficiados pode influenciar as decisões políticas, como observado na reforma tributária, onde a busca por simplificação foi substituída por exceções.

O próximo presidente, independentemente da maioria no Congresso, terá que fazer escolhas difíceis e negociar interesses conflitantes. A mobilização de parlamentares nas redes sociais pode ajudar a explicar essas decisões e conquistar apoio público. No entanto, a incerteza sobre os ganhos e perdas de possíveis reformas pode dificultar sua implementação.

Por isso, é fundamental que medidas de qualificação e proteção da renda sejam parte da transição política, com compromissos que possam ser cobrados pelos cidadãos. A influência nas redes sociais não deve apenas reforçar lealdades, mas também encorajar discussões sobre propostas concretas.

Em um contexto onde a geração de prosperidade exige decisões difíceis, o apelo de Santos por um foco em propostas e evidências se torna cada vez mais relevante.

Fonte: redir.folha.com.br