Robôs industriais têm um custo que varia de US$ 2 a US$ 40 por hora, dependendo de diversos fatores, como despesas operacionais e a eficiência do equipamento. Essa ampla faixa de preço destaca um dos principais desafios da inteligência artificial na robótica: transformar máquinas, que realizam tarefas em ambientes controlados, em uma força de trabalho confiável e financeiramente viável para indústrias e centros de distribuição.
A variação nos custos está ligada à metodologia utilizada para os cálculos. Um estudo da consultoria Roland Berger estima um custo de apenas US$ 2 por hora, considerando despesas como energia e manutenção, mas sem incluir a compra ou aluguel do robô. Em contrapartida, análises do JPMorgan apontam valores entre US$ 10 e US$ 12 por hora, enquanto experiências iniciais em fábricas podem ultrapassar os US$ 35.
Um fator crucial que impacta esses custos é o tempo de uso. Por exemplo, um robô industrial avaliado em US$ 90 mil, amortizado em cinco anos e operando 2 mil horas por ano, resulta em um custo aproximado de US$ 9 por hora apenas para o equipamento. Com as despesas extras, esse valor pode subir para US$ 12. Se a máquina operar apenas mil horas por ano, o custo por hora duplicará. Além disso, estima-se que atualmente são necessários cerca de dois robôs humanoides para igualar a produção de um trabalhador humano.
A automação industrial demanda robôs que possam trabalhar por mais horas e executar tarefas com menos supervisão. A fabricante de robôs humanoides Agility Robotics, por exemplo, apresentou dados que revelam os desafios de tornar a tecnologia competitiva. Seus robôs acumularam mais de 65 mil horas de operação em clientes como GXO, Schaeffler e Toyota. Em 2025, a Agility registrou vendas líquidas de US$ 1,78 milhão, mas também um prejuízo operacional de US$ 140,2 milhões.
O modelo de custo da Agility indica que as despesas com cada robô podem chegar a US$ 400 mil em cinco anos. Em um turno de operação com 2 mil horas anuais, o custo é de aproximadamente US$ 40 por hora. Com dois turnos, esse custo cai para cerca de US$ 20. Considerando que o custo total de um trabalhador humano é de US$ 30 por hora, o robô se torna mais econômico apenas se operar mais de 2,7 mil horas anuais.
Entretanto, a mera utilização não é suficiente para resolver os desafios. Fatores como a movimentação de objetos e alterações no ambiente exigem que os robôs se adaptem a situações imprevistas. Máquinas que necessitam de intervenções frequentes podem perder produtividade. Portanto, a capacidade de realizar tarefas de forma consistente e operar longas horas sem supervisão é tão vital quanto o custo.
Uma alternativa viável é o modelo de “Trabalho como Serviço”, onde empresas contratam resultados, como movimentação de paletes ou separação de pedidos, em vez de adquirir os robôs. Nesse formato, o fornecedor assume a responsabilidade pela instalação e manutenção, permitindo que os clientes comparem o custo e a confiabilidade do serviço em relação às despesas atuais com mão de obra.
Os especialistas sugerem que a melhor estratégia para expandir o mercado é iniciar com tarefas repetitivas em setores como logística e fabricação. A experiência acumulada nessas operações pode ajudar a melhorar os sistemas e ampliar suas aplicações. Assim, o potencial da automação dependerá mais do volume de trabalho útil que os robôs conseguem realizar de forma confiável do que da quantidade de máquinas vendidas.