O ex-presidente Jair Bolsonaro sempre viu André Mendonça como seu candidato ideal para o Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, foi Kassio Nunes que, durante sua sabatina em outubro de 2020, fez referência à Bíblia, associando sua indicação a um chamado divino. Ele citou Isaías: “Eu confio e nada temo”. Um ano depois, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ressaltou que os princípios religiosos de Mendonça eram um diferencial, declarando que ele é leal a “princípios judaico-cristãos”.
A saída de Flávio do Senado representa uma perda significativa para a família Bolsonaro, especialmente em relação ao plano de anistia para o ex-presidente e os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Enquanto isso, a crise no STF se intensifica, especialmente após o escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a relação com a advocacia de Alexandre de Moraes. André Mendonça e Kassio Nunes também estão sob suspeita, com Mendonça vinculado a contratos do Iter e Nunes acusado de promiscuidade.
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, comentou que a longa espera para a sabatina permitiu a Mendonça compreender as perspectivas dos senadores. Alvaro Dias (Podemos-PR) expressou a esperança de que essa indicação fosse a última com conotação política, optando por não fazer perguntas. Fabiano Contarato (Rede-ES) questionou Mendonça sobre sua posição em relação ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O ministro reafirmou seu respeito a esse direito, embora Contarato tenha contestado sua mudança de postura em relação a um caso de homofobia.
Mendonça, que se destacou por suas ações em defesa de grupos vulneráveis durante sua gestão no Ministério da Justiça, apoiou a equiparação de atos de intolerância a crimes de racismo. Durante a sabatina, ele disse que, apesar de ser evangélico, não vê espaço para manifestações religiosas no STF. Ele também votou pela condenação do deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ) por incitar atos antidemocráticos, gerando descontentamento entre deputados bolsonaristas.
Kassio Nunes, por sua vez, vestiu um terno azul com um símbolo do Outubro Rosa durante sua sabatina, possivelmente para agradar a relatora, Simone Tebet (MDB-MS). Em sua defesa, afirmou que a competência de um juiz vai além do conhecimento jurídico, devendo incluir integridade e sensibilidade social. A relatora Eliziane Gama (Cidadania-MA) elogiou Mendonça como um servidor público dedicado.
Alessandro Vieira (Cidadania-SE) criticou a mistura de religião com política, mas ainda assim votou a favor de Mendonça, destacando seu notório saber jurídico. Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) questionou Kassio sobre sua ascensão ao cargo, ao que ele respondeu que a decisão foi do presidente.
O cenário político continua tenso, com o STF no epicentro das discussões, à medida que as sabatinas revelam não apenas as credenciais dos indicados, mas também as profundas divisões e interesses em jogo.