O senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou uma carta ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) expressando sua preocupação com a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Ele argumenta que essa medida proporcionaria ao governo Lula (PT) uma “vitória política”, ao mesmo tempo em que prejudicaria a economia americana e os brasileiros que buscam uma relação forte com os EUA.
Flávio pediu ao USTR que suspenda a aplicação dessas sobretaxas, ressaltando que as tarifas podem fortalecer a posição eleitoral de Lula, especialmente em momentos de pressão tarifária. Ele citou pesquisas que mostram um aumento nas intenções de voto para o governo atual quando as tarifas americanas foram mais rigorosas.
O senador apresentou um relatório de 19 páginas, que inclui gráficos de pesquisas de opinião, para fundamentar sua posição. Ele também se inscreveu para participar de uma audiência pública no USTR marcada para 7 de julho em Washington. No documento, Flávio critica a postura de Lula em relação aos EUA, sugerindo que ela é motivada por uma inclinação ideológica, e questiona a eficácia das tarifas como uma forma de pressão política.
Flávio lembrou que o primeiro tarifaço imposto por Trump a produtos brasileiros, no valor de 50%, ocorreu em um contexto em que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, tentava pressionar o STF em um processo judicial contra Jair Bolsonaro. Para ele, a estratégia de pressão foi ineficaz e não alterou decisões do tribunal.
O senador também propôs que o governo Trump deveria adotar medidas como a suspensão de vistos para autoridades brasileiras, em vez de tarifas. A investigação da Seção 301, que resultou na proposta de tarifas, abrange práticas comerciais em diversas áreas, incluindo comércio digital e serviços de pagamento, e já foi um ponto de discórdia entre os dois países.
Além disso, Flávio defendeu o sistema de pagamentos Pix, uma das bandeiras do governo Lula, e sugeriu a criação de uma lei que impeça sua conexão com sistemas de liquidação não ocidentais, referindo-se à China. A proposta de tarifas é vista como um desafio à campanha presidencial de Flávio, que se intensificou após sua visita à Casa Branca.
Flávio tem feito esforços para convencer Trump a não implementar as novas tarifas, enquanto tenta redirecionar a atenção para questões de segurança pública que o beneficiaram anteriormente.
Fonte: redir.folha.com.br