Um antigo problema em um protocolo de rede, criado há mais de 20 anos, ameaça a segurança de milhares de data centers e sistemas de inteligência artificial (IA) globalmente. A vulnerabilidade foi revelada em um estudo da empresa de cibersegurança Lava na última quarta-feira (29), que encontrou 36.872 interfaces de gerenciamento remoto de servidores acessíveis pela internet. Destas, 24.650 expunham dados de autenticação antes da verificação da identidade do usuário.
A falha está ligada a um método de autenticação introduzido em 2004, considerado vulnerável desde 2013. No processo de login, o sistema do servidor envia um código de verificação baseado na senha do usuário antes de confirmar a autorização. Isso permite que invasores capturem o código e testem combinações de senhas sem acionarem os alertas de segurança.
Michael Katchinskiy, pesquisador da Lava e autor do relatório “How We Hacked Thousands of Data Centers in Minutes Using a 20-Year-Old Vulnerability”, destacou que a descoberta de 36.872 interfaces IPMI expostas é alarmante. O BMC, um mini-computador na placa-mãe que permite manutenção remota, funciona independentemente do sistema operacional, o que complica a detecção de invasões.
Essa vulnerabilidade é especialmente crítica em ambientes de IA e serviços em nuvem, onde múltiplos servidores compartilham a mesma rede de controle. Se um invasor obtiver acesso a um único BMC, pode comprometer outros servidores facilmente.
A análise da Lava identificou que mais de 30% dos dados capturados foram convertidos em senhas comuns usando listas de palavras e padrões de fábrica. A pesquisa encontrou 6.240 interfaces que permitiam logins sem nome de usuário e 2.340 sistemas com senhas administrativas padrão, já divulgadas em vazamentos anteriores.
Mark Stockley, especialista em cibersegurança da ThreatDown, ressaltou a dificuldade em gerenciar a segurança do BMC, já que as atualizações variam entre fabricantes e podem interromper acessos importantes. Além disso, como se trata de um defeito no protocolo, não há uma solução única que possa ser aplicada a todos os equipamentos.
Mesmo sistemas que implementaram senhas individuais ainda estão vulneráveis. A Supermicro, por exemplo, utiliza senhas complexas, mas modernas técnicas de quebra de senha podem testar todas as combinações rapidamente. Durante testes, a equipe da Lava conseguiu descobrir senhas de sistemas novos em poucos minutos.
Diante da gravidade da situação, especialistas recomendam que empresas removam essas interfaces da internet pública. A segurança deve ser reforçada com conexões criptografadas e acesso restrito a redes internas.
Fonte: www.tecmundo.com.br