Um novo golpe cibernético tem usado a autenticação por código de dispositivo, uma funcionalidade legítima criada para facilitar o acesso em dispositivos com teclado limitado, para roubar dados de vítimas. A Trend Micro, empresa especializada em cibersegurança, revelou que os criminosos exploram essa ferramenta para contornar a autenticação multifator (MFA) e invadir sistemas corporativos, sem a necessidade de capturar as senhas das vítimas.
O ataque se inicia com táticas de engenharia social, onde os golpistas estabelecem diálogos amigáveis que simulam parcerias ou oferecimento de serviços. Em seguida, eles enviam links que parecem seguros, utilizando plataformas confiáveis como o Google Sites, redirecionando os usuários para páginas falsas que solicitam a verificação de documentos. Durante esse processo, as vítimas recebem um código curto e são instruídas a inseri-lo em uma tela de login legítima da Microsoft.
Como a ação acontece em um ambiente real e a própria vítima realiza a verificação, a autenticação considera a operação válida. Contudo, o código que a vítima digitou já havia sido requisitado pelo servidor dos golpistas. Com isso, os criminosos conseguem acesso aos tokens de autenticação e registram novos dispositivos na rede, permitindo o controle silencioso de caixas de e-mail corporativas.
Os pesquisadores da Trend Micro, Ahmed Elsayed, Ahmed Hussein, Ahmed Kamal e Mahmoud Soheem, alertaram que essa técnica de “phishing por código de dispositivo” revela como os invasores exploram brechas entre os sistemas de segurança, e não apenas falhas isoladas. “Não se trata de uma falha de software, mas da combinação de um fluxo legítimo, uma página de login confiável e uma narrativa convincente que permite que o golpe evite a detecção da maioria das organizações”, afirmaram.
Para minimizar os riscos e proteger os ambientes corporativos contra esse tipo de ataque, os especialistas recomendam aumentar a conscientização dos usuários, bloquear o uso de códigos de dispositivo quando não necessário e implementar soluções de detecção que monitoram comportamentos suspeitos.
Além dessa questão de segurança, o Google também corrigiu uma vulnerabilidade que permitia que inteligência artificial escalasse privilégios e executasse códigos externos.