O senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à presidência da República, evitou esclarecer o uso de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”. Em entrevista à TV Globo, realizada na sexta-feira (28), ele classificou a situação como uma questão privada e defendeu que não vê irregularidade no financiamento. “Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento privado para um filme do próprio pai”, afirmou.
Flávio destacou que a prestação de contas do filme foi realizada por meio de uma perícia privada da produtora Go Up Entertainment, mas não apresentou o contrato com o Banco Master, a planilha de gastos ou detalhes sobre outros investidores. Ele alegou que “tudo já veio à tona” e que considera o caso encerrado.
Durante a conversa, o senador também se referiu a mensagens trocadas com Vorcaro, nas quais prometeu apoio ao ex-banqueiro. Embora tenha insistido que a relação se limitou ao filme, Flávio tentou conectar o episódio ao governo Lula, sugerindo a criação de uma CPI para investigar o Master e cobrar explicações de políticos como o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).
Em maio, o site The Intercept divulgou que Flávio havia solicitado dinheiro a Vorcaro para a produção de “Dark Horse”, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O total negociado foi de R$ 134 milhões, com pelo menos R$ 61 milhões já pagos. Inicialmente, Flávio negou qualquer relação com Vorcaro, mas depois admitiu um encontro entre os dois em dezembro, após a prisão do ex-banqueiro e a liquidação do Banco Master.
Na entrevista, Flávio também comentou sua posição em relação às urnas eletrônicas, reconhecendo que errou ao afirmar que eram fabricadas por uma empresa venezuelana. “Falei errado”, admitiu, garantindo que respeitará o resultado das eleições. Sobre os eventos de 8 de janeiro de 2023, ele defendeu que seu pai foi alvo de uma farsa orquestrada por adversários políticos.
O senador ainda foi questionado sobre uma homenagem que fez ao miliciano Adriano da Nóbrega, afirmando que não pode ser responsabilizado pelas mudanças na vida de uma pessoa ao longo dos anos. No tocante às tarifas impostas por Donald Trump, Flávio disse que seu irmão Eduardo cometeu um erro ao agradecer publicamente, mas afirmou que a decisão foi do presidente americano.
Flávio prometeu, caso eleito, implementar medidas de contenção de gastos, embora não tenha detalhado quais seriam. Ele garantiu que a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, diminuirá com sua eleição. Ao ser indagado sobre o aquecimento global, o senador declarou que nem todos os fenômenos climáticos são causados por ações humanas.
Por fim, Flávio anunciou que o médico Cláudio Lottenberg seria seu ministro da Saúde, caso vencesse as eleições. Lottenberg é conhecido por sua atuação no Hospital Albert Einstein e foi secretário de Saúde de São Paulo.
Fonte: redir.folha.com.br