Um recente escândalo de corrupção na Suprema Corte do Chile resultou na destituição da ministra Ángela Vivanco, levantando questões relevantes para a crise atual enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. O caso chileno, que envolveu figuras proeminentes como o advogado Luis Hermosilla e o ex-Ministro do Interior, Andrés Chadwick, revela semelhanças e diferenças significativas em relação ao cenário brasileiro.
A crise no Chile se manifestou de forma sistêmica, com o Ministério Público e líderes de órgãos públicos envolvidos. Contudo, a situação se agravou quando surgiram evidências das ligações de Vivanco com Hermosilla. No dia 9 de setembro de 2024, apenas dois dias após a divulgação de mensagens comprometedoras, a Suprema Corte decidiu abrir um procedimento disciplinar contra a ministra, que culminou na sua remoção unânime em 10 de outubro. O Tribunal não a destituiu por corrupção direta, mas sim por violar princípios de independência e probidade.
As acusações criminais de corrupção e lavagem de dinheiro seguiram posteriormente, enquanto uma acusação constitucional, desencadeada por pedidos de impeachment de três partidos, foi aprovada rapidamente pelo Senado. A destituição de Vivanco resultou em sua inabilitação para cargos públicos, mas não impôs penas criminais imediatas.
Um ponto crítico do caso foi a divulgação de áudios que expuseram práticas de corrupção envolvendo funcionários de órgãos reguladores. A descoberta de mensagens entre Vivanco e Hermosilla, obtidas através do celular deste último, evidenciou um conluio que incluía a indicação de aliados para posições estratégicas. Os valores envolvidos no escândalo chileno, no entanto, foram consideravelmente menores do que os do escândalo do Master no Brasil.
Enquanto a Suprema Corte chilena agiu rapidamente para proteger sua reputação, o STF brasileiro enfrentou uma crise prolongada, exacerbada pela inação institucional. Revelações sobre viagens de ministros e contratos suspeitos em 2025 expuseram a fragilidade do sistema, com respostas institucionais tardias e controversas.
A comparação entre os dois casos ressalta a necessidade de uma resposta mais ágil e efetiva no Brasil, a fim de evitar a deterioração da imagem do Judiciário.