O presidente Lula (PT) entra na reta final do segundo turno da eleição, intensificando sua campanha com atos de rua e uma forte mobilização nas redes sociais. Após terminar a primeira votação atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula busca reverter essa situação em uma semana decisiva, onde as pesquisas mostram um empate técnico entre os candidatos.
A agenda da campanha para os próximos dias inclui visitas a até sete cidades, destacando a expectativa em torno do debate da Globo, programado para sexta-feira (23), à véspera da eleição. Lula já anunciou propostas como o passe livre no transporte público aos finais de semana e a quitação de dívidas de microempreendedores individuais com o governo, medidas que visam aumentar seu apelo eleitoral.
Além disso, ele reforçou iniciativas para controlar os preços dos combustíveis e expandir o programa de bolsas para estudantes, abrangendo também o ensino superior. Antes do primeiro turno, já havia implementado o reajuste do Bolsa Família. Mobilizações em apoio a Lula ocorrem em várias cidades, com aliados afirmando que o receio da eleição de Flávio Bolsonaro impulsiona essas ações.
Nas redes sociais, o grupo petista tem se aprimorado, com destaque para a participação de candidatos jovens e a gestão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, operado pelo deputado André Janones. Com a saúde do parlamentar em atenção após sua internação por arritmia, a campanha de Lula avança com eventos programados em Porto Alegre, São Luís, Petrolina, Juazeiro, Belo Horizonte e um encerramento no Rio de Janeiro e São Paulo.
Enquanto a agenda ainda pode sofrer alterações — como a possível suspensão da visita a São Luís —, Lula planeja se concentrar nas preparações para o debate. Ele deve questionar Flávio sobre suas propostas de cortes nas despesas públicas, sem afetar programas sociais, um ponto que a campanha petista utiliza para gerar apreensão no eleitorado.
A reestruturação da equipe de campanha trouxe novo ânimo entre os apoiadores, que agora veem a possibilidade de reeleição mais próxima. A comunicação de Lula está mais incisiva, visando aumentar a rejeição de Flávio Bolsonaro, embora haja pedidos para que ele enfrente o adversário de forma mais direta.
Lula encerrou o primeiro turno com 45% dos votos válidos, contra 47% de Flávio Bolsonaro. A mais recente pesquisa Datafolha indica que o petista tem 49% das intenções de voto, enquanto o adversário aparece com 51%. Este cenário marca um momento histórico, já que, desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar foi eleito.