A disputa pelo Governo do Pará entre Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel (Podemos) está acirrada, com ambos os candidatos apresentando intenções de voto tecnicamente empatadas, conforme a mais recente pesquisa da Quaest. O levantamento, realizado em 27 de julho, mostra Hana com 24% e Dr. Daniel com 20%, considerando uma margem de erro de três pontos percentuais. No segundo turno, a diferença é mínima, com Hana marcando 36% e Daniel 35%.
Nesse contexto, a campanha dos dois candidatos tem se concentrado em questões locais, minimizando a influência da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ambos os candidatos buscam conquistar eleitores do sul e sudeste do estado, regiões onde o agronegócio, a mineração e o garimpo exercem forte influência econômica.
Carlos Augusto da Silva Souza, professor de ciências sociais da UFPA, explica que a divisão política no Pará é significativa. A região norte, mais pobre e com forte presença do Marajó, tende a apoiar Lula, enquanto o sul, voltado para o agronegócio, tem se mostrado mais favorável a Bolsonaro. Nas eleições de 2022, Lula recebeu 50,28% dos votos válidos em Belém, ao norte, enquanto em Marabá, no sudeste, Bolsonaro obteve 53,99%.
Embora o PT e o PL estejam nos palanques, suas presenças são discretas nas campanhas. Hana, que assumiu o governo após a renúncia de Helder Barbalho (MDB) para concorrer ao Senado, conta com Dirceu Ten Caten (PT) como vice, mas sua participação é pouco destacada. Já Dr. Daniel, que trocou o PSB pelo Podemos, tem Ellayne D’Almeida (PL) como vice, mas também não se associa fortemente a Flávio Bolsonaro.
A campanha de Dr. Daniel enfrenta um desafio adicional com a divulgação de um suposto vídeo íntimo que poderia comprometer sua imagem. Sua esposa, Doutora Alessandra Haber, candidata a deputada federal, tem se posicionado publicamente sobre o caso, classificando a situação como uma tentativa negativa de fazer política. A equipe de Daniel acredita que a polêmica acabou gerando visibilidade positiva para o candidato.
O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) determinou a remoção de publicações relacionadas ao vídeo, sem considerar a veracidade do conteúdo. A decisão foi baseada em um pedido do Podemos, que argumentou ser uma forma de propaganda eleitoral negativa antecipada.
As próximas semanas prometem ser decisivas para os candidatos, que buscam fortalecer sua imagem e conquistar o voto do eleitorado paraense.