Um grupo de pastores, majoritariamente presbiterianos, apresentou recentemente uma interpelação pública ao ministro do STF André Mendonça. O documento questiona a compatibilidade ética e constitucional entre sua função como magistrado e seu papel como pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP).
Os autores, que se dirigem a Mendonça “como irmãos” e com “respeito”, enfatizam que alguns deles são veteranos no ministério e desejam lembrar ao colega mais jovem sobre as exigências da vocação pastoral. A manifestação tem como base a Confissão de Fé de Westminster, que a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) adota. Segundo essa norma, magistrados civis não podem também exercitar funções de liderança espiritual.
Mendonça ocupa uma posição delicada, já que é simultaneamente juiz do STF e pastor. A carta surge em um momento tenso, com o ministro enfrentando desafios no Supremo, incluindo um conflito com o colega Alexandre de Moraes. Ele atua na IPP desde 2025, após ter assumido sua cadeira no STF em 2021.
A carta é apoiada por figuras proeminentes da IPB, como Silas Luiz de Souza e Luiz Longuini, além de líderes da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB). O reverendo Calvino Camargo, que colaborou na redação do documento, destaca que Mendonça se encontra em uma “incômoda posição” ao exercer ambos os papéis.
Além disso, o grupo questiona como um pastor pode ser considerado um árbitro imparcial em questões de liberdade religiosa, dado que ele está ligado a uma das confissões. O texto argumenta que ouvir um líder espiritual que detém poder judicial pode comprometer a liberdade de expressão da congregação.
Fonte: redir.folha.com.br