O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice Geraldo Alckmin e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, são os últimos representantes de destaque da Constituinte de 1987-88 ainda ativos na política brasileira. Com o cenário atual, a próxima eleição se configura como a última da Nova República, marcando uma transição significativa na política nacional.

As forças de direita, em um movimento de renovação generacional, escolheram lideranças mais radicais, distantes dos princípios democráticos e das conquistas sociais dos últimos quatro décadas. Apesar de ter gerado um líder popular capaz de mobilizar eleitores, a direita opta por arriscar o futuro do país em favor de interesses próprios.

Com as eleições se aproximando, o campo progressista enfrenta desafios cruciais, independentemente de ocupar o Palácio do Planalto ou estar na oposição. As lideranças da centro-esquerda precisarão passar o bastão para a nova geração, uma transição que não é apenas sobre substituir um líder, mas também sobre renovar o compromisso com a equidade e os direitos fundamentais.

A Constituição de 1988 estabeleceu dois pactos essenciais: um modelo de democracia liberal que limitou o poder do Executivo e um pacto social que garantiu direitos fundamentais, como o SUS e o Bolsa Família. No entanto, os escândalos de corrupção e a crise de autoridade das instituições exigem que o progressismo vá além de uma simples acomodação à política vigente.

Por outro lado, as conquistas sociais geraram novas demandas por serviços públicos mais eficazes e necessitam de soluções inovadoras diante das limitações fiscais e das mudanças no mercado de trabalho. A Nova República, na verdade, chegou ao fim em 2018, quando a extrema direita ganhou força em meio ao descontentamento popular com as promessas não cumpridas da democracia.

A convivência civilizada e a esperança de um futuro melhor para o Brasil dependem, neste momento, de uma renovação na centro-esquerda, que pode ocorrer tanto em um governo progressista quanto na oposição ao obscurantismo que se instalou. Essa mudança é vital para o país e seu futuro político.