O influenciador Pablo Marçal (PRTB), que já é inelegível, gerou especulações ao registrar sua candidatura à Presidência da República. Em uma entrevista em agosto, ele revelou que a primeira pessoa que contatou após a decisão foi Flávio Bolsonaro (PL). “Não tem ninguém nessa campanha para servir de escudo”, afirmou, fazendo alusão ao seu papel na campanha do filho de Jair Bolsonaro.

Desde então, Marçal tem utilizado seu significativo alcance nas redes sociais — com 14 milhões de seguidores no Instagram — para apoiar a candidatura de Flávio. Ele tem publicado uma série de conteúdos antipetistas, pedindo votos e utilizando inteligência artificial. Um vídeo recente simula a prisão do presidente Lula (PT) por autoridades norte-americanas, fazendo referência a Nicolás Maduro e levantando questões sobre interferência dos EUA nas eleições.

Na reestreia do programa eleitoral na TV, Flávio anunciou a criação do Ministério da Prosperidade, que reunirá os principais programas sociais do governo, uma estrutura que está sendo definida em colaboração com Marçal e outros assessores. Embora Marçal tenha deixado em aberto a possibilidade de integrar um futuro governo Flávio, membros da campanha negaram qualquer conversa nesse sentido.

A proposta do novo ministério já vem sendo discutida desde dezembro do ano passado, durante um evento na casa de Marçal. O influenciador, conhecido por vender cursos que prometem mudança de mentalidade e prosperidade, oficializou seu apoio a Flávio no final de setembro, insinuando que poderia ter um papel na administração.

O senador, por sua vez, descreveu Marçal como um “grande empreendedor” e indicou que ele ajudaria nas áreas de empreendedorismo e mobilidade social. No entanto, interlocutores de Flávio negaram que Marçal tenha sido sondado para um ministério específico.

Recentemente, o PT protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) no TSE, pedindo a cassação da chapa de Flávio por supostas irregularidades no uso do perfil de Marçal nas redes sociais. Alega-se que o candidato do PL não informou ao tribunal que o perfil de Marçal havia se tornado uma conta oficial de campanha, violando regras eleitorais.

Após o protocolo da ação, a biografia de Marçal no Instagram foi alterada, removendo a menção à “Equipe Flávio Bolsonaro 22”. Além das postagens, ele tem incentivado seus seguidores a ingressarem em um canal do WhatsApp chamado “Tropa do Flávio”, que mobiliza apoiadores na reta final da campanha.

O canal já reúne um milhão de seguidores e publica conteúdos de diversos políticos alinhados com o bolsonarismo. A estratégia digital de Marçal tem como objetivo contrabalançar os esforços do campo petista, liderado pelo deputado André Janones (Rede).

Embora Marçal tenha sido considerado uma figura controversa em sua campanha à Prefeitura de São Paulo, sua influência agora parece ser um ativo valioso para Flávio. Em entrevistas passadas, Marçal já havia expressado que a direita estava presa a Bolsonaro e defendia a necessidade de um “outsider” nas eleições de 2026.

O TSE já havia rejeitado anteriormente o registro de candidatura de Marçal à Presidência, em função de uma condenação que o tornava inelegível por oito anos. Durante sua campanha anterior, ele direcionou sua crítica a Lula, enquanto evitou atacar Flávio, que, em agradecimento, elogiou a contribuição do influenciador em sua campanha.

A relação entre Marçal e Flávio se intensificou após a participação do senador em uma mentoria no Alphaville, um centro de influência do influenciador, onde muitos de seus seguidores buscam oportunidades de prosperidade.

Fonte: redir.folha.com.br