A discussão sobre a redução da maioridade penal ganhou força na reta final das eleições, impulsionada pelo apoio de 79% da população brasileira à medida. O governo, em resposta à pressão da oposição, apresentou uma emenda para incluir a proposta na discussão da PEC da Segurança Pública. No entanto, essa iniciativa não foi bem recebida dentro da base governista.
O senador Camilo Santana (CE), autor da emenda e líder do PT no Senado, não previu a repercussão negativa que a proposta geraria. Para evitar um desgaste maior, a votação da PEC foi retirada da pauta da sessão de quinta-feira. Em um movimento inesperado, o presidente Lula se posicionou publicamente em favor da redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, durante uma entrevista na TV Globo.
Camilo, que também coordena a campanha de Lula, tinha o aval do presidente, mas não contava com a forte resistência interna de líderes petistas contrários à emenda. Apesar dos alertas, a proposta foi protocolada, mas a votação foi adiada. No final do dia, muitos no partido respiraram aliviados, mesmo com Lula reforçando sua posição em rede nacional.
Lula enviou mensagens claras: fortaleceu a imagem de Camilo, atendeu ao clamor popular por mudanças na segurança e buscou neutralizar as tentativas da oposição de usar o tema contra o PT. Contudo, a polêmica está longe de ser resolvida, e a votação da PEC pode ser postergada para após o segundo turno das eleições.
Neste cenário, a campanha do PT está avaliando se deve ou não insistir na discussão de um tema tão sensível a poucos dias do pleito. O deputado Flávio Bolsonaro (PL) já se prepara para contra-atacar, e o debate eleitoral no domingo será decisivo para definir quem dominará a narrativa.