A popularização de aplicativos que utilizam inteligência artificial para criar imagens íntimas falsas, conhecidos como “nudify”, levanta preocupações sobre sua acessibilidade e os riscos associados. Um estudo de janeiro de 2026 revelou a presença de várias dessas ferramentas nas lojas de aplicativos, como Google Play e App Store, muitas das quais podem ser acessadas até por menores de idade.

Esses aplicativos permitem que usuários enviem fotos de pessoas vestidas e recebam imagens manipuladas que simulam nudez, sem consentimento. A prática é também referida como “nudificação” ou “deepnudes”, utilizando tecnologia avançada para gerar representações sintéticas de indivíduos. Embora os serviços de nudify compartilhem semelhanças com deepfakes, eles se destacam por focar especificamente na criação de imagens sexualizadas.

O funcionamento desses aplicativos é bastante simples. Usuários podem enviar uma foto e, em poucos segundos, recebem uma nova imagem que parece realista. A inteligência artificial não “enxerga” através das roupas, mas gera uma imagem imaginária com base na foto enviada, levando em conta detalhes como pose e proporções.

A facilidade de acesso a esses aplicativos, combinada ao anonimato nas solicitações, preocupa pais e autoridades. Apesar de regras que proíbem esse tipo de conteúdo, muitos aplicativos continuam disponíveis e até exibem anúncios em plataformas digitais. A dificuldade em rastrear os criadores dessas imagens e o potencial de danos para as vítimas são questões urgentes a serem enfrentadas.

As consequências para quem é alvo dessas manipulações podem ser severas. Mesmo que o material seja falso, ele pode causar danos psicológicos e sociais significativos, com a possibilidade de extorsão a partir da divulgação dessas imagens. O fenômeno é especialmente preocupante entre jovens, que frequentemente são tanto vítimas quanto criadores dessas imagens.

Embora não exista uma legislação específica proibindo o uso de nudify no Brasil, a utilização dessas ferramentas pode incorrer em crimes já tipificados, como a criação e divulgação de imagens não consensuais. A legislação brasileira prevê penas que variam de meses a anos de detenção, dependendo da gravidade da infração.

Caso uma imagem íntima falsa seja criada, recomenda-se que a vítima preserve evidências, registre um boletim de ocorrência e busque a remoção do conteúdo nas plataformas digitais. Apoio psicológico e orientação de entidades especializadas também são essenciais para lidar com as consequências desse tipo de violência.

As ferramentas que detectam imagens geradas por IA ainda não são totalmente confiáveis, o que complica a identificação de conteúdos manipulados. Enquanto isso, a tecnologia continua a evoluir, aumentando a necessidade de vigilância e proteção contra essas práticas prejudiciais.

Fonte: www.estadao.com.br