O presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu arquivar cinco investigações relacionadas ao inquérito das fake news, que já se arrasta por mais de sete anos. O inquérito foi instaurado para investigar casos de desinformação e ameaças direcionadas a membros da corte e seus familiares.
A medida foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitir um parecer que considerou inviável a continuidade das apurações, alegando falta de provas e a prescrição de alguns casos. Entre as investigações encerradas, uma delas focava em mensagens veiculadas em um grupo no Telegram, que continham apologia ao racismo e ameaças a ministros do STF. A PGR argumentou que a identificação dos responsáveis pelo canal era impossível, o que inviabilizou o prosseguimento das investigações.
Outra apuração arquivada envolveu Gilson Machado, ex-ministro do Turismo e deputado federal eleito em 2026. Ele era alvo de investigação por suposta tentativa de obter um passaporte para o tenente-coronel Mauro Cid, condenado em 2025 pelo STF em um caso relacionado a uma trama golpista. A PGR não encontrou evidências que ligassem Machado ao caso, mesmo após diversos depoimentos e análises.
Além disso, foram encerradas investigações que envolviam a cidadã americana Flávia Cordeiro Magalhães e postagens ofensivas ao STF nas redes sociais do Partido da Causa Operária (PCO). A apuração do deputado estadual Alex Brasil (PL-SC), que compartilhava conteúdo sobre o sigilo do voto nas eleições de 2026, também foi arquivada.
Fachin ressaltou que, caso novas provas venham à tona, as investigações podem ser reabertas. Ele também determinou o levantamento do sigilo das decisões anteriores, que haviam sido tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito até setembro de 2026. A mudança na relatoria ocorreu em meio a uma crise institucional na corte, quando Moraes solicitou uma investigação contra André Mendonça, também do STF, por abuso de autoridade.
Esses não foram os primeiros arquivamentos realizados por Fachin; na última segunda-feira, ele já havia determinado o encerramento de ações que envolviam o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o escritor Guilherme Fiuza. O presidente do STF tem defendido o fim do inquérito, que se tornou um símbolo do aumento dos poderes da corte.
Fonte: redir.folha.com.br