Cabo Verde fez história ao garantir sua primeira classificação para os mata-matas da Copa do Mundo, e a celebração foi contagiante. No NRG Stadium, em Houston, a delegação do arquipélago africano deixou o local dançando e cantando a música “Ninguém, Ninguém, Ninguém”, que se tornou um hino entre os torcedores durante o torneio.

A canção, interpretada pelo grupo La MC Malcriado, foi lançada em 2006 e é uma ode ao orgulho cabo-verdiano, sendo predominantemente em crioulo (kriolu), a língua materna que representa a identidade cultural do povo. A letra enfatiza que, apesar das dificuldades, a alegria e a identidade do povo não podem ser tiradas.

O título do álbum do grupo, “Nos Pobreza Ké Nos Rikéza” (Nossa pobreza é a nossa riqueza), reflete a mensagem de que a verdadeira riqueza está na cultura e na união do povo, e não em bens materiais. A música combina ritmos tradicionais como o funaná e a morna, que, apesar de opostos, representam a diversidade cultural de Cabo Verde.

O funaná, com seu ritmo acelerado, originou-se na Ilha de Santiago e tem raízes africanas, enquanto a morna, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, traz uma melodia mais suave, refletindo a saudade e a dor da emigração.

O técnico Pedro Bubista, à frente da equipe desde 2020, ressaltou que a classificação pode inspirar nações com altos índices de pobreza a buscarem seus sonhos no esporte. Ele destacou a importância de o futebol ser acessível a todos, independentemente da situação financeira.

De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a taxa de pobreza absoluta em Cabo Verde é de 24,75%, com 2,28% da população vivendo em condições de pobreza extrema. Agora, Cabo Verde se prepara para enfrentar a Argentina, atual campeã, em um duelo marcado para a próxima sexta-feira, 3 de julho, às 19h (de Brasília), em Miami.

Fonte: placar.com