O governo Lula (PT) reagiu de forma contundente à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública nos Estados Unidos, onde foram discutidas as tarifas comerciais impostas ao Brasil. O evento ocorreu na terça-feira (7) e Flávio, pré-candidato à Presidência e principal adversário de Lula, acusou o presidente brasileiro de utilizar as tarifas a seu favor eleitoralmente.

Em nota oficial, o governo brasileiro expressou seu repúdio à intervenção do senador, afirmando que a audiência, organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), foi uma oportunidade que deveria ser utilizada para defender os interesses nacionais, não para legitimar uma investigação considerada injusta. O governo criticou Flávio por mencionar o escândalo do caso Master sem revelar sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está no centro do esquema de corrupção.

Flávio Bolsonaro argumentou que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros beneficiaria Lula em um momento crítico para as eleições. Ele sugeriu que a discussão sobre tarifas fosse postergada até o fim do pleito, a fim de evitar manobras políticas. No entanto, o governo destacou que, entre os 34 brasileiros que se inscreveram para a audiência, apenas Flávio não se opôs às medidas contra o Brasil.

A nota do governo também ressaltou que o senador optou por validar uma investigação que, segundo eles, prejudica empresários e trabalhadores brasileiros, em vez de contestar as alegações do governo americano. Flávio justificou sua presença como um parlamentar e uma voz da oposição, lamentando a ausência de representantes oficiais do Brasil no evento.

Dentro do Planalto, a estratégia foi não enviar representantes oficiais para não conferir legitimidade à investigação americana, que o governo Lula contesta. A nota também lembrou que a investigação do USTR sobre práticas comerciais do Brasil começou em julho de 2025, culminando na proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Na manhã do mesmo dia da audiência, ministros do governo se reuniram com técnicos americanos para discutir formas de reverter as tarifas. A reunião envolveu representantes de diversos ministérios e foi parte de um esforço contínuo para enfrentar as taxações impostas.

Em sua nota, o governo enfatizou a diferença entre fazer oposição ao governo e prejudicar o país. A investigação do USTR e suas consequências permanecem no centro das atenções, enquanto o Brasil busca formas de contornar as medidas que afetam seu comércio.

Fonte: redir.folha.com.br