A recente imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos impactou diretamente a relação comercial entre Brasil e EUA. Na quarta-feira (15), o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O governo Lula responsabilizou a articulação da família Bolsonaro em Washington pelo desgaste das relações, enquanto a oposição criticou o governo pela suposta falta de estratégia comercial.
A decisão foi tomada logo após Flávio Bolsonaro ter participado de uma audiência no USTR, órgão que coordena a política comercial americana. Um monitoramento em tempo real realizado pela Palver, envolvendo mais de 100 mil grupos de mensageria, revelou nuances importantes nas reações online em relação ao tarifaço.
A análise identificou dois tipos de interação: o comportamento orgânico e o coordenado. O primeiro envolve usuários que realmente debatem e interagem, enquanto o segundo é caracterizado por perfis que disseminam informações de forma unilateral, sem engajamento. Surpreendentemente, mais de 80% das mensagens sobre a tarifa provêm de perfis com comportamento coordenado. Além disso, apenas 1% dos usuários gerou 32% de toda a discussão sobre o tema.
Quando examinados os dados, o cenário parece favorecer Flávio Bolsonaro, que teria uma aprovação de 40% contra 28% de Lula. Contudo, ao focar apenas nas interações orgânicas, a aprovação de Flávio cai para 31% e a de Lula sobe para 30%. Isso indica que a aparente força de Flávio nas conversas é, na verdade, impulsionada por uma quantidade significativa de mensagens coordenadas.
Em relação à responsabilidade pela tarifa, os dados mostram um equilíbrio entre os que culpam Flávio e os que responsabilizam Lula. Porém, entre os usuários que interagem de forma orgânica, 49% atribuem a culpa a Flávio, enquanto apenas 24% a Lula. Mais de 92% das mensagens que responsabilizam Lula têm origem em perfis coordenados, evidenciando que a opinião de quem realmente debate tende a responsabilizar Flávio.
Analisando o conteúdo das mensagens, observa-se uma predominância de narrativas coordenadas que favorecem Flávio e atacam Lula. Em contrapartida, críticas a Flávio surgem de maneira mais orgânica. Esses dados corroboram uma pesquisa da Quaest, que também indicou que o tarifaço prejudica mais Flávio do que Lula.
Esses resultados ressaltam a importância de diferenciar entre interações orgânicas e coordenadas nas redes sociais, uma vez que essa distinção revela comportamentos que podem influenciar a percepção pública e as narrativas em jogo. À medida que a pré-campanha avança, a presença de mensagens coordenadas tende a aumentar, o que pode impactar a dinâmica eleitoral.
Fonte: redir.folha.com.br