Nos últimos 12 meses, o debate sobre os penduricalhos no funcionalismo público dominou as redes sociais, reunindo tanto a esquerda quanto a direita em torno do tema. Um relatório do Observatório Lupa, solicitado pela República.org, revela que a insatisfação com os supersalários se concentra especialmente no Poder Judiciário.
O estudo, que abrange dados coletados de julho de 2025 a junho de 2026, destaca o impacto da decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que, em fevereiro, limitou as remunerações acima do teto constitucional. Essa ação gerou um aumento significativo nas menções a penduricalhos nas publicações nas redes sociais.
A pesquisa identificou dois tipos de dados. O primeiro, utilizando a ferramenta Meltwater, analisou postagens de perfis públicos nas redes sociais. O segundo, com apoio da Open Measure, coletou informações de grupos em aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram. O relatório aponta que quase 50% das menções sobre o funcionalismo público referem-se a penduricalhos, superando discussões sobre a qualidade do atendimento e as condições de trabalho dos servidores.
No total, foram analisadas 935 mil publicações, sendo 442 mil relacionadas a penduricalhos. Beatriz Farrugia, pesquisadora da Lupa, explica que as redes sociais funcionam como vitrines, enquanto os aplicativos de mensagens criam ambientes mais fechados e de confiança. A análise revelou duas narrativas principais: nas redes sociais, a crítica se concentra nos privilégios da elite pública, enquanto nos aplicativos de mensagens, há uma tendência de culpar o governo federal atual pelos problemas.
Além disso, o relatório identifica o Judiciário, e em segundo lugar o Congresso, como uma elite desconectada da realidade. As menções mais frequentes nas redes incluem termos como “Flávio Dino”, “STF”, “Judiciário” e “teto constitucional”.
Beatriz também menciona que o tema dos penduricalhos deve ser amplamente explorado nas eleições, uma vez que é uma questão que tende a gerar repúdio entre os eleitores. Os aplicativos de mensagens funcionam como laboratórios para discursos políticos que podem ser utilizados durante as campanhas.
Fonte: redir.folha.com.br