A disputa entre a Polícia Federal (PF) e a Advocacia-Geral da União (AGU) ganhou novos contornos, com integrantes da cúpula da PF acusando a AGU de omissão durante a crise que resultou em uma ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem exigia a elaboração de um relatório que revelou mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, aumentando a tensão entre as instituições.

A AGU, liderada por Jorge Messias, por sua vez, defende que a PF está propondo medidas que poderiam invalidar investigações sobre o Banco Master. Esse embate se intensificou quando a PF passou a solicitar que a AGU intervisse no STF para limitar o controle do ministro Dias Toffoli sobre certos inquéritos, algo que a AGU contestou, afirmando que não era sua função tratar de questões de natureza criminal.

Messias buscou uma solução conciliatória e organizou uma reunião em agosto entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, na qual o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou. Os atritos remontam ao período em que Toffoli era relator dos inquéritos do Banco Master, quando a PF pediu à AGU que questionasse a escolha dos peritos por Toffoli, que, em sua defesa, alegou que o caso não era uma questão governamental.

Após a saída de Toffoli, o caso foi atribuído a Mendonça, que começou a expressar desconfiança em relação aos investigadores, restringindo o acesso da cúpula da PF às informações dos inquéritos, especialmente sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em julho, ele decidiu que todos os atos relacionados às investigações sobre fraudes no INSS deveriam ser centralizados em seu gabinete, o que foi interpretado pela PF como uma violação de sua autonomia.

Recentemente, Mendonça ordenou que a PF identificasse, em 72 horas, todas as pessoas mencionadas em mensagens do celular de Vorcaro, que incluíam referências a membros da PF e do Ministério Público. Essa ordem gerou desconforto entre os policiais, que a enxergaram como uma tentativa de interferir na investigação.

A crise se complica ainda mais com a possibilidade de Messias ser indicado novamente ao STF com apoio de Mendonça. Dentro da AGU, há a percepção de que não houve omissão e de que o órgão não pretende criar brechas que possam comprometer a validade dos inquéritos. O material da PF relacionado a Moraes, que teve o sigilo removido, revelou conversas entre Vorcaro e Moraes, incluindo um questionamento do ex-banqueiro sobre a possibilidade de deixar o país dias antes de ser preso.

Fonte: redir.folha.com.br