Na corrida pela presidência do Brasil, a política externa se tornou um tema central, refletindo a tensão entre os candidatos sobre questões cruciais como relações com os Estados Unidos e a China, e a participação em blocos como Brics e Mercosul. Em entrevistas, cinco campanhas — de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Lula (PT), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) — discutiram suas visões sobre a política internacional. A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu às solicitações da reportagem.

Lula propõe uma maior integração com o Brics e o Sul Global, defendendo a desdolarização e o uso de moedas locais para transações. Ele busca fortalecer o Mercosul e criticou operações militares dos EUA na América Latina, ao mesmo tempo em que propõe uma cooperação em segurança com Washington, mas rechaça a designação de facções criminosas como terroristas.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, não se compromete com o Brics e sugere uma reavaliação da permanência do Brasil no bloco. Ele defende a designação de PCC e CV como organizações terroristas e propõe acordos bilaterais com os EUA, além de transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

Ronaldo Caiado não defende a saída do Brasil do Brics, mas critica seu uso como plataforma ideológica. Ele apoia a flexibilização do Mercosul e a designação de PCC e CV como terroristas, embora rejeite operações militares dos EUA em solo brasileiro.

Renan Santos vê o Brics como uma extensão da política externa chinesa e defende uma participação mais instrumental no bloco. Ele propõe uma abertura do Mercosul, mas não aceita a designação de facções como terroristas, enfatizando que a luta contra o crime deve ser conduzida por forças brasileiras.

Augusto Cury quer manter o Brics para comércio, mas afastar a agenda geopolítica. Ele sugere flexibilizar o Mercosul para facilitar acordos bilaterais e propõe mais cooperação com os EUA sem operações militares estrangeiras em território brasileiro.

Essa batalha por visões divergentes na política externa promete impactar diretamente as relações do Brasil no cenário internacional e influenciar decisões cruciais para o futuro do país.

Fonte: redir.folha.com.br