O novo livro “Lacerda: Coração de Tempestade”, do repórter Mário Magalhães, já está disponível nas livrarias. Esta obra marca o primeiro volume de uma biografia que abrange a vida de Carlos Lacerda entre 1914 e 1955, culminando em seu breve exílio após o golpe do general Henrique Lott. Com anos de pesquisa, Magalhães revela detalhes intrigantes sobre uma das figuras mais influentes da política brasileira.
O livro aborda questões que cercam a trajetória política de Lacerda, desde suas origens até seu papel como um dos principais opositores de Getúlio Vargas. Embora tenha flertado com ideias comunistas, ele nunca foi membro do Partido Comunista. A obra também esclarece quem feriu o pé de Lacerda durante o atentado que resultou no suicídio de Vargas em agosto de 1954. O autor detalha que o agressor era um dos pistoleiros da guarda pessoal do presidente, financiada por um caixa dois.
Lacerda, que teve um romance com a poetisa Cecília Meireles, transitou da esquerda para a direita ao longo de sua vida. O livro ainda menciona outros personagens de sua época, como dom Hélder Câmara e Alceu Amoroso Lima, que fizeram o caminho inverso. Em um momento dramático de sua juventude, Lacerda foi preso aos 19 anos, logo antes da ascensão de Hitler ao poder.
Mário Magalhães narra com precisão os eventos que marcaram a vida de Lacerda, incluindo a tentativa de assassinato do major Rubens Vaz, que o acompanhava em 5 de agosto de 1954. O major foi morto em um ataque que antecedeu o suicídio de Vargas, ocorrido 19 dias depois. O relato do autor é minucioso, e a obra termina com o exílio de Lacerda nos Estados Unidos, após a ascensão de Juscelino Kubitschek, cuja eleição foi garantida pelo general Henrique Lott.
O legado de Lacerda é apresentado como um misto de inteligências e fracassos. Ele teve uma tentativa de suicídio em 1934 e, anos depois, foi um dos grandes opositores ao governo Vargas. A narrativa de Magalhães também faz um paralelo com a ascensão de JK, que prometeu transformar o Brasil, mas cuja gestão também enfrentou desafios, como a inflação.
No epílogo, o autor transporta o leitor de 1955 para 1966, quando Lacerda e JK se encontraram como proscritos da ditadura, refletindo sobre suas trajetórias. A obra conclui com uma análise do impacto que ambos tiveram na política brasileira, ressaltando que, apesar de suas diferenças, conseguiram escapar da mediocridade.
Esta nova biografia de Lacerda não apenas ilumina a figura central de um político controverso, mas também oferece um contexto valioso sobre a política brasileira do século XX.