A disputa pela liderança em inteligência artificial (IA) entre os EUA e a China se intensificou com acusações de que empresas chinesas estariam copiando modelos desenvolvidos por companhias americanas. A Anthropic e a OpenAI alegam que firmas chinesas estão empregando a técnica de “destilação” para treinar seus próprios sistemas com base em respostas geradas por modelos dos EUA, o que pode comprometer a vantagem tecnológica americana e representar riscos à segurança nacional.
Em uma carta ao Comitê Bancário do Senado dos EUA, datada de 24 de junho, a Anthropic acusou a Alibaba de um roubo “escandaloso” de tecnologia de IA, afirmando que identificou a geração irregular de 28,8 milhões de respostas do chatbot Claude entre 22 de abril e 5 de junho, utilizando cerca de 25 mil contas fraudulentas. A empresa argumenta que a destilação permite que concorrentes desenvolvam modelos competitivos com muito menos tempo e investimento do que seria necessário para criar uma IA de ponta do zero.
Essas alegações reforçam preocupações já levantadas por outras empresas americanas. Em fevereiro, a OpenAI denunciou que a DeepSeek estava tentando se beneficiar indevidamente de seu trabalho. Na mesma época, o Google observou um aumento nas atividades maliciosas relacionadas à IA, ligadas a países como China, Irã, Coreia do Norte e Rússia.
A técnica de destilação é amplamente utilizada na indústria de IA para otimizar modelos, mas especialistas alertam que seu uso indevido, como o descrito, permite que adversários imitem as melhores inovações do setor a um custo reduzido. Theresa Payton, ex-diretora de informações da Casa Branca, afirmou que isso possibilita que competidores estrangeiros “clonem” sistemas de IA avançados, contornando proibições de exportação de tecnologia dos EUA.
A Anthropic tem mantido comunicação constante com a Casa Branca e o Congresso sobre esses incidentes. Segundo fontes próximas à empresa, a diferença tecnológica entre os EUA e a China é atualmente de cerca de seis a nove meses. Essa lacuna, se não for devidamente gerida, pode se encurtar, afetando a posição americana na corrida por inovações em IA.
Além das implicações tecnológicas, as preocupações se estendem a possíveis impactos militares. A Anthropic chegou a desativar modelos avançados após alertas da Casa Branca sobre seu potencial uso pela China. Especialistas temem que a continuidade desses ataques possa diminuir a vantagem americana em tecnologia e aumentar as capacidades de ciberataques e sistemas autônomos dos adversários.
O governo anterior, sob Donald Trump, também reconheceu a destilação como uma questão crítica. Em abril, um memorando da Casa Branca indicou que entidades estrangeiras, especialmente da China, estariam envolvidas em roubo de tecnologia em larga escala. O governo anunciou medidas para melhorar a troca de informações sobre esses ataques e aumentar a colaboração entre o setor público e privado.
No Congresso, legisladores discutem novas regras para limitar o acesso da China a tecnologias avançadas. A proposta do AI Overwatch Act, por exemplo, exigiria autorização do governo para a venda de chips de IA para países considerados de risco. O presidente do Comitê Seleto da Câmara sobre a China, John Moolenaar, afirmou que a busca da China por desenvolver seus próprios modelos de IA é impulsionada por roubo, não por inovação.
Essa prática não apenas representa uma ameaça à segurança nacional, mas também ao modelo de negócios das empresas americanas, que podem enfrentar concorrentes chineses oferecendo sistemas com desempenho semelhante a um custo muito inferior.
Fonte: www.tecmundo.com.br