O impacto do fenômeno “Dark Horse” sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais vem perdendo força, conforme revela a nova pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (3). A distância entre Lula (PT) e o senador está se aproximando dos níveis observados antes do escândalo que envolveu o pedido de dinheiro ao dono do Banco Master para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, Flávio está gradualmente reconquistando o apoio de eleitores que se afastaram dele após o caso Vorcaro. No entanto, novos desdobramentos e delações em torno do escândalo ainda pairam sobre a campanha, mantendo um clima de incerteza. O escritor Augusto Cury (Avante) surge como uma alternativa, ocupando a terceira posição e atraindo eleitores que não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro, complicando a tarefa dos dois principais candidatos de conquistar os indecisos.
Flávio conseguiu recuperar parte do eleitorado antipetista que havia se afastado após a controvérsia, embora outros escândalos ainda sejam uma preocupação. Por sua vez, Lula enfrenta seu pior nível de aprovação, com seu comitê percebendo um descontentamento generalizado entre os eleitores em relação ao poder de compra, apesar da estabilidade econômica.
A situação está bem equilibrada: no cenário de um segundo turno, Lula alcança 45% entre homens, enquanto Flávio atinge 46%. Entre mulheres, Lula tem uma vantagem maior, com 48% contra 41% do senador.
Faltando um mês para o primeiro turno, o governo Lula registra sua pior avaliação, mesmo com novas iniciativas e tempo de propaganda na TV. A insatisfação popular relacionada aos preços e à inflação, que permanece controlada, representa um obstáculo para o crescimento do presidente, que parece mais desafiador do que as investigações sobre sua família.
O crescimento de Augusto Cury pode mudar o cenário da disputa, frustrando as expectativas de Lula de garantir uma vitória no primeiro turno. Cury tem 14% de apoio entre eleitores com ensino superior e 11% entre aqueles com renda mensal superior a cinco salários mínimos. Para ser realmente competitivo, ele precisaria expandir sua base entre os eleitores de renda mais baixa, onde atualmente alcança apenas 5%.
Os eleitores de Cury mostram um perfil que busca alternativas à polarização entre Lula e Bolsonaro. Ele se destaca entre jovens de 25 a 34 anos e tem mais apoio de quem avalia negativamente o governo Lula. Se não conseguir aumentar seu apelo entre grupos mais amplos, os votos de Cury podem ser decisivos no segundo turno, onde 42% de seus eleitores afirmam que votariam em Flávio, 30% em Lula e 26% optariam por votos em branco ou nulos.
Fonte: redir.folha.com.br