O empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado do ministro do STF Gilmar Mendes, foi contratado em 2024 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A relação entre eles envolveu interesses ligados a universidades privadas, conforme revelam diálogos que ocorreram entre abril de 2024 e junho de 2025, período em que Gilmar analisava ações no Supremo sobre a abertura de novos cursos de medicina.
A investigação da Polícia Federal apreendeu o telefone de Vorcaro, e os diálogos entre ele e Chiquinho levantam suspeitas sobre possíveis influências. Gilmar, por meio de sua assessoria, negou qualquer tratativa com Vorcaro ou Chiquinho relacionada ao Ministério da Educação (MEC) e afirmou que sua votação sobre novos cursos foi a favor do governo, e não das universidades.
Chiquinho confirmou a assinatura de um contrato com a Super Empreendimentos, empresa sob investigação por supostamente facilitar pagamentos de Vorcaro a uma milícia privada e a agentes públicos. Ele, no entanto, negou ter atuado para aproximar Gilmar de Vorcaro e não revelou os valores do contrato, que indicam um pagamento mensal de R$ 500 mil e um adicional de R$ 800 mil no primeiro mês.
O ex-cunhado de Gilmar mencionou ter agendado uma reunião com Guiomar, sua irmã e ex-esposa do ministro, a pedido de Vorcaro, que não se concretizou. Em um diálogo em abril de 2024, Chiquinho aconselhou Vorcaro a estabelecer uma relação direta com Gilmar, destacando que isso seria importante para o futuro.
Em maio de 2024, Chiquinho mencionou um jantar com Gilmar e o ministro Cristiano Zanin, embora Chiquinho tenha negado esse encontro. A coluna Mônica Bergamo revelou que Vorcaro se reuniu com Gilmar em abril de 2024 para solicitar um voto favorável em uma causa que beneficiaria Vorcaro, mas o ministro votou contra.
Chiquinho também afirmou que o serviço prestado não envolveu interesses de Vorcaro junto ao MEC ou a Camilo Santana, ex-ministro da Educação. No entanto, os diálogos incluem referências a atividades no MEC, como um contato sobre a velocidade de tramitação de processos e tentativas de encontros com Camilo Santana, que negou ter recebido pedidos de Vorcaro.
Em agosto, um ofício identificado como do MEC foi enviado ao ex-banqueiro, referindo-se a cursos de medicina. Chiquinho confirmou ter se encontrado com uma pessoa ligada à Ulbra, mencionando que o documento do MEC era uma informação pública.
Fonte: redir.folha.com.br