O presidente nacional do PSB, João Campos, tem a intenção de reviver a aliança histórica entre seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, e o presidente Lula (PT) nas eleições para o governo de Pernambuco. Em entrevista à Folha, o ex-prefeito do Recife expressou confiança na reeleição de Lula, acreditando que isso poderá dar início a um novo ciclo econômico no estado, que foi governado pelo PSB durante 16 anos até 2022.
A campanha de João Campos irá recordar a relação próxima entre Lula e Eduardo Campos, que atuou como ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato de Lula e faleceu em um acidente aéreo em 2014. Campos espera que a presença de Lula em Pernambuco, ainda no primeiro turno, ajude a conquistar votos dos apoiadores do petista, atualmente liderados pela governadora Raquel Lyra (PSD).
Segundo a pesquisa da Quaest, Raquel Lyra lidera as intenções de voto com 43%, enquanto João Campos aparece com 37%. A margem de erro é de três pontos percentuais. Campos acredita que muitos eleitores de Lyra mudarão de voto ao perceberem o apoio de Lula. Ele critica a neutralidade de Lyra, afirmando que sua aliança é majoritariamente composta por figuras de direita.
Raquel Lyra, que já buscou se aproximar de Lula, tenta manter o apoio do eleitorado de direita, especialmente após a ausência de uma candidatura bolsonarista na corrida. Aliados de Lula sugerem que ele não participe ativamente da campanha no primeiro turno para evitar um confronto direto com a governadora, mas Campos é otimista quanto à participação do presidente.
O ex-prefeito argumenta que Lyra não aproveitou a oportunidade de investimentos durante o governo Lula e destaca que, em gestões anteriores, Pernambuco se destacou no Nordeste. Ele critica a transferência de investimentos para outros estados, como a Bahia e o Ceará, sob a atual gestão.
Apesar da aliança entre PT e PSB, que se fortaleceu com a chapa Lula-Alckmin, os partidos se distanciaram em 2014, quando Eduardo Campos lançou sua candidatura à presidência. Campos reconhece que o PSB cometeu erros, como o apoio ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016, mas enfatiza que a admiração de seu pai por Lula sempre foi genuína.
João Campos também falou sobre as expectativas para as eleições de 2026, onde o PSB busca aumentar sua representação na Câmara e no Senado. Ele defendeu uma revisão do modelo de emendas parlamentares e a importância de um diálogo construtivo sobre o uso do orçamento público.
Por fim, ao ser questionado sobre a reforma do STF, Campos afirmou que o debate deve ser conduzido com cautela, destacando o papel essencial do tribunal na democracia brasileira.
Fonte: redir.folha.com.br