Uma pesquisa recente realizada pela More in Common/Ipsos-Ipec revelou que os eleitores brasileiros atribuem maior responsabilidade pelo aumento das apostas online ao governo do presidente Lula (PT) do que ao de Jair Bolsonaro (PL). De acordo com os dados, 18% dos entrevistados acreditam que a gestão petista é a principal responsável pela expansão das bets, enquanto apenas 4% culpam o governo anterior.
A pesquisa, que contou com 2.000 participantes de 16 anos ou mais em 130 municípios entre 4 e 8 de julho, também mostrou que 33% dos entrevistados veem ambos os governos como responsáveis, e 35% não apontam culpa a nenhum deles. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Entre os eleitores de Lula, 14% atribuem a responsabilidade ao governo atual, e 8% ao governo Bolsonaro. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 28% culpam Lula, enquanto apenas 3% responsabilizam seu pai. A maioria, no entanto, não designa a culpa a um único governo: 28% não veem responsabilidade em nenhum dos dois, e 34% responsabilizam ambos igualmente.
Os dados também mostram que a legalização das apostas online no Brasil começou antes de ambos os governos. Em julho de 2018, a medida foi editada pelo então presidente Michel Temer e se tornou lei em dezembro do mesmo ano, sob Bolsonaro. Apesar de a regulamentação ter sido esperada até dezembro de 2022, isso não ocorreu, resultando em um período em que as apostas operaram sem regras claras.
A nova lei sancionada em dezembro de 2023, durante o governo Lula, estabeleceu normas para as apostas de quota fixa. Pablo Ortellado, professor da USP, comentou que a regulamentação enfrentou críticas, levando Lula a ser visto como mais responsável que Bolsonaro, mesmo por parte de seus próprios eleitores.
A pesquisa também abordou a disposição dos eleitores em apoiar candidatos que defendam a limitação das apostas. Enquanto 24% disseram que essa posição os favoreceria, 12% expressaram o oposto. A maioria, 58%, afirmou que a questão não influenciaria sua decisão de voto.