Marina Silva, pré-candidata ao Senado pela Rede em São Paulo, criticou duramente a aliança entre partidos de diferentes espectros políticos que buscam contornar as cotas de distribuição mínima do fundo eleitoral destinadas a candidaturas de mulheres e negros. Para ela, essa prática é “inaceitável” e as regras da Justiça Eleitoral, que garantem que pelo menos 30% do fundo eleitoral seja destinado às minorias, são essenciais para corrigir desigualdades históricas.

Marina, que já foi ministra do Meio Ambiente e atualmente é deputada federal, destacou que essa união entre siglas como o PT, com quem ela fará campanha, enfraquece mecanismos que visam aumentar a inclusão de grupos historicamente excluídos da política. “É especialmente inaceitável que partidos de diferentes campos políticos se unam para flexibilizar justamente mecanismos criados para ampliar a participação de quem historicamente foi excluído da política”, afirmou.

Na corrida pelo Senado, Marina compartilhará a chapa com Simone Tebet (PSB), enquanto Fernando Haddad (PT) é o candidato ao governo de São Paulo e Márcio França (PSB) concorrerá à vice-governadoria. A decisão de compor essa chapa encerrou especulações sobre uma possível saída de Marina da disputa ou sua candidatura como vice de Haddad. Ela reafirmou que suas prioridades continuarão sendo a agenda ambientalista.

Em entrevista, Marina também abordou a questão das fake news e o uso de deepfakes, ressaltando a importância de promover conteúdos autênticos e reais nas campanhas. Para ela, a atualização da linguagem política é fundamental para dialogar com os jovens, que buscam novas formas de se informar.

Sobre a formação de novas lideranças na esquerda, Marina acredita que já existem novos quadros, como Fernando Haddad e Simone Tebet, mas enfatizou que é necessário apresentar projetos políticos que atraiam os jovens. Ela criticou a visão populista que promete soluções fáceis e mencionou que não considera o Bolsa Família uma falsa solução, mas sim uma questão de justiça social.

Marina também comentou a relação do Congresso atual com o de 1995, quando foi eleita pela primeira vez, e destacou a necessidade de uma postura mais respeitosa em relação à Constituição. Em relação à interação com setores religiosos, ela defendeu a necessidade de tratar todas as crenças com respeito e de evitar a instrumentalização da fé na política.

Sobre temas polêmicos como o aborto, Marina defendeu um debate respeitoso e propôs que a questão seja submetida a um plebiscito. Ela reafirmou que o meio ambiente deve estar integrado a outras questões sociais e econômicas, enfatizando a importância de políticas públicas que promovam justiça social e sustentem o desenvolvimento econômico.

Marina Silva concluiu sua fala criticando o retrocesso representado por tentativas de burlar as cotas para mulheres e negros, afirmando que isso perpetua desigualdades e limita a verdadeira representação da população brasileira no espaço político.

Fonte: redir.folha.com.br