Em 2026, dispositivos icônicos da era pré-streaming, como o iPod e os MP3 Players, ressurgem como alternativas populares ao uso de smartphones para ouvir música. Plataformas de e-commerce têm registrado um aumento significativo na demanda por esses aparelhos, refletindo uma tendência semelhante observada com outras tecnologias que voltaram a ganhar destaque.

Originalmente lançados há mais de 20 anos, esses dispositivos são capazes de armazenar e reproduzir músicas em formato MP3, sem a necessidade de internet ou assinaturas. A conexão é necessária apenas para transferir faixas de um computador. Embora fossem extremamente populares nos anos 2000, a ascensão dos smartphones e do streaming de áudio fez com que esses reprodutores ficassem em segundo plano.

O que explica o retorno do iPod e dos MP3 Players em 2026? Dados de uma pesquisa da Axios revelam que as buscas pelo iPod Nano aumentaram 20% entre janeiro e outubro de 2025, enquanto as buscas pelo iPod Classic cresceram 25%. Esses números, coletados no eBay dos EUA, são semelhantes aos registrados no Google Trends. O fenômeno também é observado no Reino Unido, onde as pesquisas por modelos de terceira e quinta geração no Back Market tiveram aumentos de 47% e 41%, respectivamente, no mesmo período.

A nostalgia tecnológica é um dos principais fatores que despertam o interesse por esses dispositivos. Millennials e membros da geração X, que vivenciaram a popularização do MP3, buscam reviver a simplicidade de um tempo menos dominado por algoritmos. A geração Z, mesmo sem experiência direta com os aparelhos originais, também é influenciada por familiares e deseja explorar essa tecnologia retrô.

Os serviços de streaming, como Spotify e Apple Music, permitem acesso a uma vasta biblioteca musical, mas frequentemente são interrompidos por notificações de redes sociais e aplicativos. Em contraste, iPods e MP3 Players são projetados exclusivamente para reprodução de música, proporcionando uma experiência mais focada e menos distrações, ajudando assim os usuários a fazer um “detox digital”.

A possibilidade de ouvir música offline, sem depender de sugestões de algoritmos, também tem atraído novos usuários. Com esses dispositivos, o usuário tem total controle sobre suas playlists, podendo organizar suas músicas como desejar, mesmo sem conexão à internet. Isso contrasta com os serviços de streaming, onde faixas podem ser removidas, levantando questões sobre a posse da música.

Apesar desse retorno, é importante notar que a Apple não fabrica mais o iPod. O último modelo, a sétima geração do iPod touch, foi lançado em 2019 e a produção foi encerrada em 2022. Para quem deseja adquirir um iPod em 2026, a alternativa é buscar modelos usados, com preços variando entre R$ 300 e R$ 3.000, dependendo da condição e especificações.

Por outro lado, os MP3 Players de outras marcas continuam a ser produzidos, com opções que vão de menos de R$ 50 a mais de R$ 6.000. Os modelos mais acessíveis geralmente têm formato de pendrive e oferecem funções básicas, enquanto versões mais avançadas incluem recursos como conectividade Wi-Fi, Bluetooth e suporte a streaming.

Se você está pensando em adquirir um MP3 Player, é bom considerar os prós e contras. Entre os benefícios, destacam-se a qualidade sonora, a portabilidade e a autonomia da bateria. Por outro lado, os dispositivos têm capacidade limitada de armazenamento e podem exigir um trabalho manual para transferir músicas.

A volta do iPod e dos MP3 Players em 2026 sinaliza uma nova fase na forma como as pessoas consomem música, buscando experiências mais diretas e menos dependentes da tecnologia moderna.

Fonte: www.estadao.com.br