O aumento das restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após sua prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado gerou reações de seus aliados. Muitos comparam a situação atual com a vivida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi preso em 2018 em decorrência da Operação Lava Jato. Especialistas em direito divergem sobre as medidas estabelecidas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, mas ressaltam que existem diferenças importantes entre os dois casos, como o estágio das condenações, a natureza dos crimes e as condições de cumprimento da pena.

Ambos os ex-presidentes enfrentaram a prisão, uma realidade que já afetou mais de 20 líderes da América do Sul neste século. Lula foi encarcerado em 2018, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, começando a cumprir pena sem que sua condenação tivesse transitado em julgado. Em 2021, o STF anulou suas condenações, alegando que os processos não seguiram a jurisdição correta e que o juiz Sergio Moro agiu de forma parcial. Já Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe e começou a cumprir sua pena em uma sala da Polícia Federal, passando posteriormente para a Papudinha e, por fim, recebendo prisão domiciliar por questões de saúde.

Durante suas prisões, tanto Lula quanto Bolsonaro mantiveram contato com aliados políticos. Lula recebeu visitas frequentes de Fernando Haddad (PT) e se envolveu em estratégias eleitorais, enquanto Bolsonaro também teve encontros com políticos em busca de apoio para as eleições de 2026. Um levantamento indicou que, em um mês, Bolsonaro recebeu 25 pedidos de visita, a maioria de possíveis candidatos ao pleito.

Em 2018, Lula oficializou a candidatura de Haddad à presidência mesmo estando preso, enquanto Bolsonaro, mesmo inelegível, manifestou sua intenção de apoiar a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, durante seu encarceramento.

As diferenças entre os casos vão além da natureza dos crimes. Lula foi preso por corrupção, enquanto Bolsonaro enfrenta condenação por golpe de Estado, com uma atuação nas redes sociais considerada crucial para incitar a violência contra a democracia. A Justiça impôs restrições ao uso das redes sociais de Bolsonaro, que se mantêm como cautelares em seu cumprimento de pena.

Outro ponto contrastante é que a condenação de Bolsonaro já havia transitado em julgado, o que suspendeu seus direitos políticos e limitou suas articulações. Por outro lado, Lula, embora inelegível, não teve todos os seus direitos suspensos devido à falta de trânsito em julgado de sua condenação.

As condições de cumprimento da pena também diferem significativamente. Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde a comunicação externa era controlada, enquanto Bolsonaro cumpre pena em casa, com a possibilidade de revogação do benefício caso não cumpra as restrições impostas, que incluem o uso de tornozeleira eletrônica e limitações na comunicação.

Essas distinções e semelhanças entre os casos de Lula e Bolsonaro revelam um cenário complexo no contexto político atual, refletindo as diversas interpretações legais e o impacto das ações dos ex-presidentes.

Fonte: redir.folha.com.br