A Federação Brasil da Esperança, que reúne os partidos PT, PV e PC do B, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (29) em uma ofensiva contra adversários da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Os partidos protocolaram quatro representações que questionam a disseminação de informações falsas, o uso de inteligência artificial, ofensas e abuso de poder durante a Festa do Peão de Barretos, um dos maiores eventos do gênero na América Latina.
Os alvos das ações incluem os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e o vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL). A representação destaca que o evento em Barretos foi utilizado pela chapa do PL como um “showmício” disfarçado, com uma estrutura profissional de som e luz, além de ter reunido cerca de 60 mil pessoas. A coligação de Lula argumenta que o evento foi patrocinado por empresas privadas e órgãos públicos, configurando um financiamento empresarial indevido.
Na quinta-feira (27), a campanha de Flávio Bolsonaro já havia acionado o TSE, questionando o uso do Palácio da Alvorada para fins eleitorais por Lula. Durante a Festa de Barretos, Flávio, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que “todos os que acreditam em Deus” reconhecem o agronegócio como essencial para o país, se autoproclamando futuro presidente. O público também manifestou apoio, gritando slogans contra Lula.
A coligação de Lula pede a cassação do registro de candidatura de Flávio e a declaração de inelegibilidade, alegando que o evento cultural foi transformado em um comício eleitoral, surpreendendo os espectadores que pagaram ingressos para assistir a shows. Os advogados da federação afirmam que a estrutura do evento foi organizada de forma a caracterizar doação indireta de fonte vedada.
Além disso, a federação questiona a circulação de vídeos produzidos com deepfake, nos quais Lula é associado à palavra “bandido”. Esses conteúdos, que alcançaram 19,6 milhões de visualizações nas redes sociais, foram inicialmente divulgados por Lucas Pavanato e Flávio Bolsonaro, sendo replicados por outros usuários, incluindo Romeu Zema.
A coligação exige a remoção imediata do vídeo, a proibição de novas republicações e multa diária em caso de descumprimento, além de penalidades de até R$ 30 mil por ofensas à honra de Lula. Em outro ponto, a federação criticou Flávio Bolsonaro por associar o governo Lula a organizações criminosas, durante um evento na praia de Copacabana, onde ele fez declarações que podem desequilibrar o pleito eleitoral.
Por fim, os partidos também pedem a proibição de publicações de Ronaldo Caiado que ligam Lula ao narcotráfico, afirmando que suas declarações ultrapassam os limites da crítica política e disseminam informações falsas.
Fonte: redir.folha.com.br