Tarcísio de Freitas (Republicanos) está reformulando sua equipe para o segundo mandato com foco em fortalecer sua posição política e preparar o terreno para futuras disputas eleitorais. O governador paulista, reeleito com quase 63% dos votos válidos, busca consolidar sua influência até 2030, visando a presidência e a sucessão no governo de São Paulo, além de garantir a liderança de seu grupo na prefeitura da capital.
Para isso, Tarcísio planeja mudanças significativas em sua gestão, especialmente nas secretarias mais estratégicas: Casa Civil e Secretaria de Governo. No primeiro mandato, ele enfrentou dificuldades com os secretários Gilberto Kassab e Arthur Lima, que deixaram seus cargos antes da eleição. Kassab, presidente do PSD, foi criticado por usar sua posição para promover seu partido, enquanto Lima enfrentou insatisfações dos deputados estaduais.
A nova configuração deve incluir Roberto Carneiro, atual presidente do Republicanos em São Paulo, na Secretaria de Governo. Ele é bem visto pelos deputados e será responsável pela articulação política. A Casa Civil deverá ser ocupada por Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, que já foi chamada de “supersecretária” por Tarcísio e coordenou o plano de governo durante a campanha.
A relação entre Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) é outro ponto crucial. Nunes é visto como um potencial sucessor, mas para isso precisará garantir uma boa avaliação ao final de seu mandato e conseguir eleger um sucessor em 2028. A colaboração entre Tarcísio e Nunes deve se intensificar, com uma agenda conjunta programada para a próxima semana, focando em projetos de revitalização da cidade.
Mudanças também são esperadas em secretarias menores, como Turismo e Esportes. Além disso, a participação do MDB deve aumentar, enquanto o PSD de Kassab perde espaço. A continuidade do delegado Osvaldo Nico Gonçalves na Secretaria de Segurança Pública é vista como uma estratégia para fortalecer a aliança com Nunes, que pode precisar de um vice para sua chapa em 2024.
Por fim, mesmo com as movimentações em curso, não há indicações claras de que Tarcísio planeje lançar seu vice, Felicio Ramuth, para a próxima eleição ao governo em 2030. Caso Tarcísio se candidate à presidência, ele terá que se afastar do governo até abril de 2030, o que colocaria Ramuth na posição de governador.
Fonte: redir.folha.com.br