O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na terça-feira (23) em sua rede social Truth Social que a votação no Brasil será seu próximo desafio. Ele expressou preocupação com a integridade do sistema eleitoral brasileiro e a necessidade de garantir uma disputa livre e justa. Segundo Trump, isso só será possível se o Brasil “se juntar à crescente lista de nações que se movem à direita”, indicando um apoio ao candidato de viés direitista.

Essa declaração marca um novo direcionamento nas relações entre Brasil e EUA, que agora se tornam um tema relevante no debate eleitoral. Diferente do passado, onde a política externa não influenciava a imagem dos candidatos, a intervenção americana pode impactar a percepção dos eleitores.

Na mesma terça-feira, uma pesquisa Datafolha revelou que muitos brasileiros estão cientes da decisão da Casa Branca de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. Essa medida, considerada unilateral, pode abrir espaço para a interferência dos EUA nos assuntos internos do Brasil.

A pesquisa também mostrou que a maioria dos entrevistados acredita que o rótulo de “organização terrorista” é adequado para essas facções. No entanto, a opinião pública se divide sobre as intenções dos EUA: muitos veem a ação como um gesto de ajuda no combate ao crime organizado, enquanto outros a consideram uma justificativa para a intervenção.

As percepções variam conforme a preferência partidária, a posição no espectro político e a crença religiosa. Os apoiadores de Flávio Bolsonaro tendem a ver os EUA como altruístas, enquanto os que apoiam Lula acreditam que as intenções são motivadas pela ambição de poder.

Apesar das divisões, quase 75% dos entrevistados rejeitam a ideia de que Trump possa agir unilateralmente contra o crime organizado sem informar o governo brasileiro. Esse dado sugere que há limites para a aceitação de intervenções externas, especialmente em um cenário eleitoral. Uma ação desmedida de Trump pode, inclusive, prejudicar seu candidato preferido nas eleições brasileiras.