A Comissão da Anistia agendou para o dia 2 de julho uma avaliação sobre o pedido de reparação histórica apresentado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, referente à repressão sofrida durante o regime militar. Este é o primeiro caso de um órgão sindical a ser analisado pela comissão, que faz parte do Ministério dos Direitos Humanos.
A sede do sindicato, localizada no centro da capital, foi cercada por militares na manhã de 31 de março de 1964, antes mesmo do golpe ser consolidado. A entidade teve um papel ativo na resistência ao regime, e seus dirigentes e ativistas enfrentaram perseguições severas. Muitos perderam seus empregos, e alguns foram vítimas de violência, resultando em mortes.
Entre os associados que perderam a vida por conta da repressão estão Olavo Hanssen, que foi assassinado aos 33 anos em 1970, Luiz Hirata, morto aos 27 em 1971, Manoel Fiel Filho, que faleceu aos 49 anos em 1976, Nelson Pereira de Jesus, aos 22 anos em 1978, e Santo Dias, que tinha 37 anos quando foi morto em 1979.
O sindicato não busca indenização financeira, mas sim o reconhecimento histórico de sua luta contra a ditadura e das violências que seus membros sofreram. Miguel Torres, presidente da entidade, ressalta a importância de manter a mobilização em defesa da democracia e do Estado de Direito, alertando sobre os perigos de retrocessos políticos e o retorno de regimes autoritários no Brasil.