Empresários brasileiros estão apreensivos com a audiência pública marcada para esta segunda (6) e terça-feira (7) nos Estados Unidos, onde será debatido o aumento de tarifas anunciado contra o Brasil. A expectativa é que as declarações de Flávio Bolsonaro (PL) e Paulo Figueiredo, que se inscreveram para falar no evento, possam intensificar as tensões e complicar as negociações com o governo americano.
Ambos os participantes pretendem abordar a questão das tarifas, sendo que Flávio Bolsonaro deve solicitar a sua revogação. Contudo, os empresários temem que a politização do debate, especialmente em um ano eleitoral no Brasil, possa afetar negativamente o processo. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realiza perguntas a todos os inscritos, mas os empresários não têm controle sobre as questões que serão feitas nem sobre a postura dos palestrantes.
Os setores impactados pelas tarifas reconhecem que a situação política atual é um obstáculo. A decisão final sobre a implementação das tarifas cabe ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mesmo que o USTR faça recomendações. Para minimizar as tensões, os empresários estão se mobilizando nos bastidores, buscando criar um ambiente mais propício para a retirada das tarifas.
Na audiência, os empresários enfatizarão que as tarifas não resolvem problemas comerciais e podem prejudicar os interesses americanos. Eles argumentarão que o aumento dos custos de importação do Brasil poderia resultar em inflação elevada nos EUA, impactando o setor produtivo americano. O Brasil é um importante fornecedor de bens e insumos industriais para os Estados Unidos.
Além disso, os empresários sugerirão alternativas de negociação em áreas como etanol, minerais críticos, segurança energética e propriedade intelectual. Entre os inscritos, destacam-se a Associação Brasileira da Indústria do Arroz, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a União Nacional do Etanol de Milho e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. O setor de café, que já tem o café verde isento de tarifas, buscará a inclusão do café solúvel nessa lista, argumentando que isso beneficiaria a população de menor poder aquisitivo.
Fonte: redir.folha.com.br