O número de candidatos nas eleições gerais de 2026 sofreu uma queda significativa, a maior desde 1994, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até as 16h30 desta segunda-feira (17), foram registradas 20.524 candidaturas, uma redução de aproximadamente 8.700 em relação a 2022, representando um recuo histórico de 30%.

Esse declínio é notável, pois desde 1994, a quantidade de registros vinha apresentando crescimento, com exceção de uma leve diminuição de 3% em 2006. Nas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022, o número de candidatos se manteve estável em torno de 29 mil. O período para registro de candidaturas se encerrou no último sábado (15), e o TSE indicou que quaisquer atualizações nos dados finais serão mínimas, resultantes de desistências ou decisões judiciais.

A diminuição é especialmente evidente nas candidaturas para cargos legislativos. O número de candidatos a deputado federal caiu de 10.630 para 7.632, e a deputados estaduais, incluindo distritais, de 17.347 para 11.521. Isso levou a uma redução na concorrência, passando de 21 para 15 candidatos por vaga para deputado federal e de 16 para 11 para deputado estadual.

Esse cenário já era esperado por especialistas em ciência política, considerando as minirreformas eleitorais implementadas em 2015 e 2017, que dificultaram a criação de novos partidos e incentivaram fusões entre siglas menores. Essas mudanças incluíram restrições ao acesso ao fundo partidário, baseadas no desempenho eleitoral, e suas regras se tornarão mais rigorosas até 2030.

Outro fator relevante é a crise interna do PRTB, partido do candidato Pablo Marçal, que registrou apenas 10 candidaturas, um drástico recuo em comparação às 939 do último pleito. Para José Niemeyer, professor do Ibmec, essa redução de candidatos pode ter um efeito positivo ao dificultar o registro de candidaturas menos sérias, incluindo aquelas ligadas ao crime.

Nesta eleição, 30 partidos estarão na disputa, dois a menos que em 2022. O PTB e o Patriota se fundiram para formar o PRD, enquanto o Pros foi incorporado pelo Solidariedade. O único novo partido é o Missão, vinculado ao MBL. Além disso, duas novas federações foram formadas, aumentando a complexidade do cenário eleitoral.

As mudanças também impactaram a quantidade de candidatos. O Solidariedade, por exemplo, além de fundir-se com o Pros, formou uma federação com o PRD. Nos partidos que podem ser comparados entre as eleições, o PRTB teve a maior queda, tanto percentual quanto absoluta, devido a um litígio judicial interno que dificultou o registro de candidaturas.

Por outro lado, o partido Novo foi o único que aumentou significativamente o número de candidatos, com 817 novos postulantes, representando um crescimento de 171%. O UP também teve um aumento notável, de 177%, somando 120 candidatos a mais.

A redução no número de candidatos pode facilitar as negociações políticas para a governabilidade do futuro presidente, ao reduzir o número de partidos com representatividade. Contudo, a diminuição da competitividade para novos candidatos pode representar um desafio para a renovação política, criando um cenário mais elitizado.

Todos os estados brasileiros apresentaram queda no número de candidatos, com Alagoas, Amapá, Paraíba e Rio Grande do Norte registrando recuos superiores a 40%. Alagoas, em particular, teve uma diminuição de 44,5%, totalizando 224 nomes a menos em comparação a 2022. O TRE-AL atribui essa redução a questões internas nos partidos, observando que grandes legendas não registraram candidatos para as eleições proporcionais.

Fonte: redir.folha.com.br