A Geração Z tem apontado a inteligência artificial (IA) como a principal culpada pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho após a graduação. No entanto, economistas e estudos recentes mostram que a situação é mais complexa. Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, destaca que a alta taxa de desemprego entre recém-formados está mais relacionada a fatores econômicos do que ao uso de ferramentas como o ChatGPT.

Em uma análise divulgada no blog da Apollo, Slok observa que a ascensão do desemprego entre graduados começou antes do lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022. Dados do Banco da Reserva Federal de Nova York revelam que a taxa de desemprego entre novos formados é de 5,6%, praticamente inalterada em relação ao ano anterior e superior à taxa geral de desemprego nos EUA, que é de 4,2%.

Ele também destaca que a diferença entre o desemprego dos recém-formados e o da população em geral começou a aumentar em abril de 2022, seis meses antes da popularização de ferramentas de IA generativa. Slok sugere que a escassez de oportunidades para profissionais em início de carreira está mais ligada a um mercado de trabalho com poucas contratações do que à substituição por tecnologia.

Apesar disso, a preocupação dos jovens parece aumentar. Um relatório da iCIMS, divulgado em janeiro, indica que 51% da Geração Z vê a IA como a maior ameaça à segurança de seus empregos. Outro levantamento da Glassdoor revelou que 53% das discussões sobre IA na plataforma têm um tom negativo, um aumento em relação aos 41% do ano anterior. O temor de que empregos atualmente seguros possam ser afetados pela automação tem crescido.

Estudos sobre os efeitos da IA no mercado de trabalho mostram resultados variados. Uma pesquisa da Universidade Stanford apontou uma queda de 13% no emprego de profissionais em início de carreira. Por outro lado, o Yale Budget Lab não encontrou mudanças significativas na rotatividade ou no tempo de desemprego em ocupações mais expostas à tecnologia, sugerindo que as alterações ainda não são visíveis nos dados gerais.

O debate também inclui críticas à forma como a indústria de tecnologia comunica os avanços da IA. Cal Newport, cientista da computação e autor de “Trabalho Focado”, afirmou em artigo no The New York Times que líderes do setor têm amplificado a ansiedade pública com previsões alarmistas sobre o futuro da tecnologia, o que pode prejudicar a saúde mental dos trabalhadores.

Para Slok e outros economistas, o verdadeiro desafio para a Geração Z reside no cenário econômico. Ele aponta que setores mais afetados pela IA também estão lidando com juros altos, incertezas comerciais e mudanças na imigração que impactam a oferta de mão de obra. Relatórios da Pantheon Macroeconomics, da National Foundation for American Policy e do Federal Reserve de St. Louis corroboram essa análise, destacando que o crescimento mais lento e a diminuição de contratações dificultam a entrada de jovens no mercado de trabalho. Pesquisadores do Fed alertam que, em certos momentos, o mercado pode parecer robusto, mas ser menos acessível para novos entrantes, especialmente os mais jovens.

Fonte: www.tecmundo.com.br