O próximo presidente do Brasil terá um grande desafio pela frente: acelerar o fim do desmatamento e implementar as diretrizes da COP30 e do Plano Clima. Esse alerta foi feito pela ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante o Global Agribusiness Festival em São Paulo, na última sexta-feira (2). Para ela, a preservação ambiental se tornou um objetivo estratégico essencial para garantir a relevância do Brasil no cenário internacional.

Teixeira, que foi ministra no governo de Dilma Rousseff de 2010 a 2016, enfatizou que o Brasil apresenta taxas de desmatamento historicamente baixas, mas é crucial que essa queda continue. Ela destacou que o desmatamento ilegal representa um grande risco, pois gera riqueza para o crime organizado. “O Brasil precisa interromper essa prática, pois estamos entregando recursos valiosos ao crime”, disse.

Ela explicou que, ao contrário das emissões provenientes de atividades econômicas, que permitem um certo controle sobre impactos e compensações, o desmatamento ilegal escapa a esse controle. Segundo Teixeira, os grupos que atuam na Amazônia estão ligados a outras atividades criminosas, como tráfico de drogas e garimpo ilegal. “Precisamos combater esse crime com regulação e ações do Estado”, afirmou.

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas foi outro tema abordado por Teixeira. Ela argumentou que, apesar das controvérsias, o Brasil possui tecnologia avançada para essa atividade e que o mundo ainda depende do petróleo. “Não podemos ignorar essa realidade”, ressaltou. A ex-ministra sugeriu uma revisão no modelo de royalties e compensações, além da criação de fundos que possam apoiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Teixeira também comentou sobre a relevância da COP30, afirmando que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris não fragilizou a conferência. Ela acredita que a agenda de ação atraiu diversos atores, incluindo governadores e representantes do setor privado, para discutir soluções ambientais.

Sobre as próximas conferências, a COP31, que ocorrerá na Turquia e na Austrália, deverá avançar em temas como transição justa e financiamento, preparando o terreno para a COP32, que focará na adaptação e recursos necessários para a conferência na Etiópia.

Fonte: redir.folha.com.br