O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou a análise sobre a legalidade da candidatura do ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador pelo Paraná com 2,9 milhões de votos no último domingo (4). O julgamento, que estava previsto para a sessão de quinta-feira (8), não ocorreu devido à falta de tempo. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que o caso será remarcado, mas não divulgou uma nova data.
A diplomação de Deltan como senador está condicionada a essa análise. Se a maioria dos ministros decidir que ele não é elegível, os votos dele serão anulados e será necessária uma nova eleição para a vaga. Em nota, Deltan expressou confiança de que o julgamento será realizado “com independência, respeito à lei e à soberania popular”. Ele enfatizou que “os votos do povo do Paraná merecem respeito”.
Deltan, que teve seu mandato como deputado cassado em 2023, antecipou seu pedido de exoneração do Ministério Público Federal em 2021 para evitar um processo administrativo disciplinar que o tornaria inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Ao se candidatar, ele foi alvo de contestações que afirmam que sua inelegibilidade se estende até 2029. O principal recurso contra sua candidatura foi movido pela coligação do PT no Paraná.
A primeira decisão sobre sua elegibilidade foi do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná em setembro, que, em uma votação apertada de quatro a três, aceitou sua candidatura, alegando que o processo disciplinar não havia sido efetivamente instaurado. Após essa decisão, o PT recorreu ao TSE, onde o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu a candidatura de Deltan na véspera do primeiro turno, determinando que seus votos seriam considerados nulos. Contudo, Kassio Nunes Marques reverteu essa decisão, argumentando que questões de candidatura devem ser decididas em colegiado e que não havia tempo hábil para informar os eleitores.
Deltan foi o segundo mais votado para o Senado no Paraná, atrás de Filipe Barros (PL), que obteve 3.148.583 votos, enquanto outros candidatos, como Alexandre Curi (Republicanos) e Gleisi Hoffmann (PT), foram superados.
Fonte: redir.folha.com.br