A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a autorização para transformar uma mansão de R$ 30 milhões, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em sua nova base de operações em Belo Horizonte, focada no combate à corrupção e lavagem de dinheiro. O pedido foi negado pelo ministro André Mendonça, que determinou a venda do imóvel.
Em março, a PF apresentou o pedido durante uma investigação sobre o patrimônio de Vorcaro. O imóvel, localizado no bairro Belvedere, uma das áreas mais nobres da capital mineira, foi negociado por R$ 30 milhões em um contrato particular, embora seu valor venal registrado na Prefeitura fosse de R$ 12,5 milhões.
Durante uma busca e apreensão na mansão, os agentes constataram que a propriedade estava desocupada e era utilizada como residência de luxo. Foi a partir dessa situação que surgiu a ideia de utilizar a casa como sede da PF. A corporação argumentou que as instalações atuais eram insuficientes e que a mansão oferecia um ambiente discreto, necessário para as operações de inteligência.
A PF destacou que sua antiga sede em Minas Gerais foi demolida, com a nova estrutura prevista para ser concluída apenas em 2028. Enquanto isso, a superintendência operava em imóveis alugados que não atendiam às suas necessidades. O grupo especializado em investigações de corrupção e lavagem de dinheiro, criado em novembro de 2025, também carecia de um espaço adequado.
O pedido da PF incluía a utilização do mobiliário da mansão, com a justificativa de que isso evitaria a dissipação do patrimônio investigado. Entretanto, Mendonça negou a solicitação, ressaltando que a casa era uma residência luxuosa, com diversos cômodos e áreas de lazer, o que tornaria sua adaptação para uso policial impraticável. Ele determinou que o imóvel fosse leiloado, com os recursos sendo depositados judicialmente.
Vorcaro tentou barrar o leilão em agosto, mas sua defesa aceitou a manutenção do bloqueio dos bens, solicitando apenas a suspensão das vendas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se opôs a essa solicitação, defendendo a decisão do ministro.
As tensões entre Mendonça e a cúpula da PF, especialmente com o diretor-geral Andrei Rodrigues, aumentaram após o pedido de afastamento de Rodrigues, que vê as ações do ministro como interferências nas investigações.
Fonte: redir.folha.com.br