A Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, teve despesas significativas em sua realização, incluindo R$ 10 mil para o aluguel de uma peruca utilizada por Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. Além disso, a produtora gastou pelo menos R$ 700 mil com a hospedagem de Caviezel, seu agente e seguranças no hotel Unique, em São Paulo.

Esses valores foram revelados em comprovantes bancários e notas fiscais apresentados à Polícia Federal (PF) pela defesa da empresa e sua representante legal, Karina Ferreira da Gama. A documentação faz parte de um inquérito que investiga o financiamento do filme no contexto do caso Banco Master.

Na última sexta-feira (11), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo da investigação, ampliando a divulgação de processos relacionados ao caso. Essa abertura ocorreu após uma solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que todos os inquéritos do caso fossem tornados públicos.

Entre os documentos analisados, uma transferência de R$ 298.350,49 ao hotel foi realizada em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. No entanto, não foi encontrada nota fiscal correspondente a esse pagamento, nem a discriminação dos serviços prestados. O material também inclui uma fatura de R$ 54.332,46 referente à passagem de Caviezel, com datas de viagem entre 1º de novembro e 8 de dezembro de 2025.

Outras despesas incluem R$ 2.045 com manicures para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty, bem como R$ 3.000 pela locação de apliques para a personagem de Michelle Bolsonaro. Também foram gastos R$ 5.500 em conjunto para uma peruca de dublê e um kit de dreadlocks para outra personagem.

Esses comprovantes foram entregues à PF em 4 de setembro, em resposta a um ofício que solicitava documentos sobre as finanças do filme, incluindo a origem dos recursos e contratos com profissionais estrangeiros. A defesa da Go Up, liderada pelo produtor Michael Davis, se manifestou, dizendo que não poderia enviar documentos mantidos nos EUA sem uma ordem judicial americana.

Dirigido por Cyrus Nowrasteh, “Dark Horse” retrata Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e o ataque a faca que sofreu em Juiz de Fora (MG). O filme se baseia em um texto do deputado federal Mario Frias. O financiamento do longa está sendo investigado após negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, com a polícia apurando se parte do dinheiro foi utilizada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio e Eduardo negam qualquer irregularidade. Em junho, a defesa da Go Up afirmou que o financiamento do filme foi realizado com recursos privados, e uma perícia contratada por seus advogados constatou um custo total de US$ 13,4 milhões, sem evidências de uso de dinheiro público nos documentos analisados.

Fonte: redir.folha.com.br